11 de março de 2013

Tipologia textual: Injunção

Texto Injuntivo É o texto que instrui, que orienta, que dita norma ou procedimento. Por isso, os verbos no imperativo, que ordenam ou sugerem, lhes são característicos. Possui dois tipos: instrucional e prescritivo. Também podem ser tomados como híbridos. (texto híbrido – é o texto que pode comportar em sua estrutura, ao mesmo tempo, outros gêneros e tipos textuais).

a) Instrucional: quando a orientação dada não é coercitiva, não é necessariamente uma ordem, mas uma sugestão ou um conselho.
Ex:
a) o conteúdo ou os recados de um livro de autoajuda;
b) o manual de instruções de um aparelho eletroeletrônico;
c) o código de conduta quanto à higiene;
d) a receita de um bolo;
e) a receita para passar no vestibular.

b) Prescritivo: quando a orientação é uma imposição, uma ordem propriamente dita.
Ex:
a) a bula de um remédio ou a receita de um médico ao seu paciente;
b) a Constituição Federal ou mesmo o Código Penal;
c) os textos da Gramática Normativa da Língua Portuguesa;
d) os manuais de guerrilha e os regulamentos militares;
d) as cláusulas prescritivas de um contrato de locação ou serviço;
e) as exigências de um edital, no caso de concursos públicos;
f) o código de ética dos senadores e deputados.

Fonte: www.aridesa.com.br/.../manual_uece_2012.1.pdf

3 de março de 2013

Narrativas de aventura


 Uma NARRATIVA DE AVENTURA consiste  em ações desenvolvidas pelo protagonista de uma história de aventura,  normalmente, é um valente herói que vive as mais surpreendentes situações. O aventureiro não se abate diante dos sucessivos desafios e envolve-se numa sequência de peripécias para escapar do perigo. A ação é um elemento fundamental da narrativa de aventura.
As aventuras não são poucas: caças a tesouros, visitas noturnas a cemitérios, perseguições de bandidos uma enrascada em uma caverna, etc.

O enredo de uma narrativa de aventura é composto das ações das personagens, organizadas em uma sequência de situações. 

Personagens: algumas marcas podem ser estabelecidas aos personagens como a astúcia e esperteza empregadas para se livrar das situações perigosas em que se envolve.

Foco Narrativo – posição tomada pelo narrador ao contar uma história.
O narrador-personagem - conta na 1ª pessoa a história da qual participa também como personagem.
O narrador-observador - conta a história na 3ª pessoa, sem participar das ações. 

Essas narrativas, em geral, apresentam a seguinte estrutura:

Apresentação ou situação inicial: o narrador explica algumas circunstâncias da história. Apresenta a época, o local e os personagens que participam da narrativa. Os espaços e as personagens são apresentados em uma situação que pode ser de desequilíbrio ou de tensão.

Complicação: início das adversidades ou dos conflitos em que as personagens principais são envolvidas.

Ações das personagens: são motivadas pela complicação e pelos objetos das  personagens.

Desfecho ou resolução: ocorre quando a complicação é solucionada.

Situação final: uma nova situação é estabelecida.

A caracterização do espaço compõe a ambientação do enredo da narrativa de aventura. Nas narrativas de aventura, o suspense prende o leitor ao texto, e a caracterização do espaço pode contribuir para isso. A descrição de cores, sons e objetos na caracterização do espaço colabora para a criação do suspense. 


Texto narrativo: Uma aventura de outro mundo

O texto que você vai ler abaixo conta a história de Alex, um garoto que vive uma aventura de outro mundo...

“[...] Por volta das três da madrugada um zumbido enlouqueceu os cachorros da cidade. Vira-latas e cães de raça uivavam desesperadamente. Pareciam ter escutado vibrações que somente eles captam e os homens jamais percebem. A louca sinfonia canina atravessou as fronteiras de São Paulo e se espalhou em ondas pelas montanhas de Minas.
Alex viu três objetos do tamanho de grandes helicópteros aterrissarem à sua volta. Não teve dúvida de que se tratava de discos voadores, com design [desenho] parecido com os imaginados pelos artistas de histórias em quadrinhos. Aqueles OVNIs assemelhavam-se a pratos de sopa com as bordas voltadas umas contra as outras. Ao se aproximarem varreram a cerração com rotores especiais, abrindo um círculo de 150 metros de raio.
Seis estranhos seres, com escafandros branco-acinzentados, rostos escondidos nos capacetes, cercaram Alex. Carregavam, nos cinturões, misteriosos instrumentos. Suas mãos portavam canos grossos, semelhantes a bazucas. Atiraram ao mesmo tempo, e os projéteis acertaram o jovem em cheio.
Alex teve absoluta convicção de que fora aprisionado por extraterrestres. [...]”


(RANGEL, Paulo. Os semeadores da Via Láctea. Rio de Janeiro: Ao Livro T
écnico, 1993. In:
(http://nossodiarioceas.blogspot.com.br/2011/03/texto-narrativo-uma-aventura-de-outro.html)

Referência bibliográfica:

COSTA, Cibele Lopresti. Para viver juntos: português, 6. ano: ensino fundamental.1.ed. rev. - São Paulo: Edições SM, 2009.  

2 de março de 2013

Verbo: modo imperativo

O modo imperativo expressa ordem, conselho, convite, pedido. Esse modo é muito utilizado em textos que orientam o leitor a ter determinados comportamentos ou a realizar certas ações.




 Formação do imperativo

Não existe a primeira pessoa do singular no imperativo, pois, como é obvio não há a possibilidade de alguém dar uma ordem a si. Existem, para o imperativo, duas formas: a afirmativa e a negativa. O imperativo afirmativo ocorre quando a pessoa que fala deseja que alguém realize uma determinada ação. O negativo, que é o oposto, ocorre quando a ação não deverá ser praticada.

No imperativo afirmativo, a segunda pessoa do singular (tu) e a segunda pessoa do plural (vós) originam-se da segunda pessoa do presente do indicativo (singular e plural), sem o s. As outras formas do imperativo afirmativo são as mesmas do presente do subjuntivo.

No imperativo negativo antepomos a partícula não às formas de todas as pessoas do presente do subjuntivo.


O imperativo pode ser substituído nas ordens instantes por um verbo no infinitivo:

 Quem nunca viu um filme de guerra em que o comandante do pelotão diz aos seus soldados: "Pelotão, atacar!" ou outras expressões próximas a esta? Neste caso, temos uma ordem a ser seguida de modo iminente, ou seja, que deve ser realizado imediatamente, naquele instante.

O imperativo pode ser expresso de modo polido quando, por exemplo, usamos expressões do tipo: por favor, por gentileza, por obséquio, tenha a bondade de, etc.

Por favor, faça a coleta seletiva.

A ordem pode ser suavizada quando usamos o verbo querer  + infinitivo:

Queira sentar-se nesta cadeira até o médico chamá-la.


O uso do imperativo varia de acordo com a situação de produção do enunciado. 
Em situações formais utiliza-se o verbo na terceira pessoa do imperativo em concordância com o pronome e a pessoa a que se refere.
Em situações informais, a concordância entre o pronome e o verbo nem sempre segue a norma-padrão. Há uma mistura entre as pessoas do discurso, e o imperativo pode ser conjugado também na segunda pessoa verbal.

Referência bibliográfica:

EVANILDO, Bechara. Moderna gramática portuguesa. - 37.ed.rev.ampl. e atual.conforme o novo Acordo Ortográfico. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 50.ed. - Rio de Janeiro: José Olympio, 2012.

COSTA, Cibele Lopresti. Para viver juntos: português, 7. ano: ensino fundamental.1.ed. rev. - São Paulo: Edições SM, 2009.  

24 de fevereiro de 2013

Comparação

Comparação é a figura de aproximação de dois elementos realçando as suas semelhanças, usando-se para isso elementos comparativos: como, feito, tal qual, que nem etc.

Veja:

- Aquela menina é delicada como uma flor.
- Ela é alta que nem um poste!
- Tal qual o pai, ele tornou-se professor
- Ela estava paralisada como uma estátua.
- É pequeno como uma formiga.
- Suas unhas são tão afiadas como as de um gato.

No poema abaixo temos a comparação entre a criança e o poeta:

 
O poeta se aproxima da criança,
que vê o mundo com olhos virgens e que,
por quase nada saber, está aberta ao mistério
das coisas. Para a criançacomo para o
poeta
— viver é uma incessante descoberta da vida
.


Ferreira Gullar


 ***

O leão

Leão! Leão! Leão!
Rugindo como o trovão

Deu um pulo, e era uma vez
Um cabritinho montês.
Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!
Tua goela é uma fornalha
Teu salto, uma labareda
Tua garra, uma navalha
Cortando a presa na queda.
[...]
Vinicius de Moraes. 


No verso “rugindo como o trovão” o poeta aproxima o rugido do leão ao do trovão, ou seja, comparando força, poder, capacidade de assustar e causar medo.

Metonímia

Metonímia: consiste na substituição de um nome por outro porque entre eles existe alguma relação de proximidade. Essa relação de substituição surge quando se emprega:

a) a parte pelo todo (ou vice-versa):

Estava novamente sem teto (teto = casa).

b) o gênero pela espécie (ou vice-versa).
Os mortais são covardes (mortais = homens).

c) O singular pelo plural (ou vice-versa).
O francês gosta de um bom vinho (francês = franceses).

d) a matéria pelo objeto:
Colocou seus cristais à venda (cristais = copos ou objetos de cristais)



Obs.:  Os casos acima exemplificados são denominados por alguns autores como sinédoque. Modernamente a metonímia engloba a sinédoque.

e) o autor pela obra:
"Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu..." (Chico Buarque)
(Neruda = livro de poesias de Pablo Neruda)
f)  a causa pelo efeito (ou vice-versa):
"Comerás o pão com o suor de teu rosto." (suor = efeito da causa que é o trabalho, isto é, "Comerás a comida com fruto do teu trabalho"). Temos aqui, também a parte pelo todo: pão designa o alimento em geral.
g) o continente pelo conteúdo (ou vice-versa):
Tomou duas latas de cerveja (lata = a cerveja contida na lata).
h) o instrumento pela pessoa que o utiliza:
Ele é um bom garfo (garfo = glutão, guloso, homem que come muito).
i) o lugar pelo produto:
O presidenciável gosta de um bom havana (havana = charuto fabricado em Havana, capital de Cuba).
j) o concreto pelo abstrato (ou vice-versa):
A junvetude brasileira está desorientada (juventude = as pessoas jovens).
k) o sinal pela coisa significada:
O trono estava abalado (trono = império, reino)



É muito comum usarmos em nosso dia-a-dia a marca ao invés do produto, isso acontece porque associamos o nome ao conteúdo. As marcas mais consumidas são as que mais estão propensas a essa troca/associação. Faça o teste na sua casa, peça para alguém listar o nome de produtos a serem comprados no mercado e verá que ela poderá ser semelhante a esta:

Outro caso:



No quadrinho em que se encontra a fala "A COZINHA É FABULOSA" tem-se o uso da palavra "cozinha" ligada a ideia de comida.

Catacrese

Catacrese: ocorre quando transferimos a uma palavra o sentido próprio de outra. Se a metáfora surpreende pela originalidade na associação de ideias, o mesmo não acontece com a catacrese, que, por ser constantemente repetida, já não chama a nossa atenção. Exemplo:

"Ele embarcou no trem das onze."

Observe que o verbo embarcar pressupõe barco e não trem. Mas essa forma de dizer já está tão incorporada na língua que nem percebemos que se trata de linguagem figurada. O mesmo ocorre com expressões como:
- perna de mesa 
Imagem:http://figura2b.blogspot.com.br/2011/04/catacrese.html
- folha de papel 
- braço da cadeira 
- asa da xícara 
- coração da cidade 
- enterrar uma faca no peito 
- pé da página
- cabeça de alfinete
- banana de dinamite
- braço da poltrona
- cabelo de milho
- dente de alho
- enterrar uma agulha no dedo
- embarcar no aviã
- maçã do rosto
- coroa do abacaxi
- batata da perna
- cabeça do prego
- manga da camisa
- levou um soco na boca do estômago
- ala de edifício
- costas da cadeira
- braço do rio
- azulejo (Obs.: antigamente esta palavra era usada para designar ladrilhos da cor azul . Hoje em dia, ela perdeu seu sentido original servindo para designar qualquer cor de ladrilho.)
Podemos formar qual expressão com esta imagem abaixo?
   

12 de fevereiro de 2013

Metáfora

A metáfora apresenta uma palavra utilizada em sentido figurado, fora da significação real, em virtude de semelhança subentendida. 


"Temos metáfora toda vez que, indo além da simples apresentação de propriedades comuns, pensamos uma realidade nos termos de uma outra. O exercício de pensar uma realidade em termos do que ela não é nos leva sempre a alguma descoberta, por isso mesmo, a metáfora é uma poderosa fonte de novos conhecimentos e novos comportamentos. Pensar uma realidade em termos de outras proporciona também um prazer estético.

As descobertas proporcionadas pelo uso figurado da linguagem são mais ou menos previsíveis no caso de metáforas que se tornaram correntes e convencionais.
Uma frase como:
José é um palito leva quase automaticamente a pensar em magreza (e não na possibilidade de usar José para palitar os dentes). As “descobertas” são mais “trabalhosas”, e mais compensadoras, no caso das metáforas autenticamente criativas. 
Do que falava Manuel Bandeira com esta frase, aplicada a uma de suas antigas namoradas?

Maria, você é uma perna.
Feiura? Banalidade? Utilidade?
"
 Ilari, Rodolfo. Introdução à semântica - brincando com a gramática.

 
O que queremos dizer quando dizemos que/de alguém:

a) Aquela criança é uma flor.
b) Esse menino é um trator.
c) Fulano é um cavalo.
d) ...é uma mula (empacada). ...
e)... é um tatu.
f) ... é uma cobra. 
g) ... é um urso
h) ... é um gato.
i) ...  é um galinha.
j) ... tem olhos de lince.
k) ... tem olhos de gavião.
l) ...  fez uma cachorrada.
m) ... come como um passarinho.
n) ... dorme com as galinhas.
 

 Podemos encontrar metáforas em diversos gêneros textuais. Sua compreensão é subjetiva,  cabe ao leitor interpretar esta figuração de acordo com sua sensibilidade e visão de mundo, no entanto, de modo coerente com o contexto em que foi empregada.



Em canção:
 
Sem Açúcar
 

Todo dia ele faz diferente, não sei se ele volta da rua
Não sei se me traz um presente, não sei se ele fica na sua
Talvez ele chegue sentido, quem sabe me cobre de beijos
Ou nem me desmancha o vestido, ou nem me adivinha os desejos

Dia ímpar tem chocolate, dia par eu vivo de brisa
Dia útil ele me bate, dia santo ele me alisa
Longe dele eu tremo de amor, na presença dele me calo Eu de dia sou sua flor, eu de noite sou seu cavalo

A cerveja dele é sagrada, a vontade dele é a mais justa
A minha paixão é piada, sua risada me assusta Sua boca é um cadeado e meu corpo é uma fogueira 

Enquanto ele dorme pesado eu rolo sozinha na esteira
E nem me adivinha os desejos
Eu de noite sou seu cavalo


Chico Buarque 

Em poema:

Os poemas


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti ...


Mario Quintana

 

O bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio,
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão.
Não era um gato.
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.


Manuel Bandeira

Na publicidade

In: http://mesquita.blog.br/pro-dia-nascer-melhor-31032009





 Vídeo de apoio:

 
In: http://terratv.terra.com.br/videos/Noticias/Vida-e-Estilo/Colegio-Web/4692-257769/Compreensao-de-metaforas-depende-do-leitor.htm

 

11 de fevereiro de 2013

Personificação (prosopopeia)

A personificação/ prosopopeia consiste em atribuir atitudes ou características humanas a coisas ou a seres irracionais. Ela é muito usada nas fábulas, que apresentam animais comportando-se como seres humanos.

Veja alguns exemplos:

1. Meu carro morreu.
2. Meu cãozinho ri para mim quando chego em casa.
3. As paredes têm ouvidos. 

4.  Persofificação em poemas:

 Poema de Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


Carlos Drummond de Andrade

O Mar Jaz 

O mar jaz
In: http://fenixdefogo.wordpress.com/tag/eolo/
gemem em segredo os ventos
Em Eolo cativos;
Só com as pontas do tridente as vastas
Águas franze Netuno;
E a praia é alva e cheia de pequenos
Brilhos sob o sol claro.
Inutilmente parecemos grandes.
Nada, no alheio mundo,
Nossa vista grandeza reconhece
Ou com razão nos serve.
Se aqui de um manso mar meu fundo indício
Três ondas o apagam,
Que me fará o mar que na atra praia
Ecoa de Saturno?


Ricardo Reis

Meus Oito Anos

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar!

Oh ! dias de minha infância!
Oh ! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar!

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu


5. Personificação em propaganda:


Confira outros exemplos no link: http://www.designontherocks.xpg.com.br/a-personificacao-na-propaganda/


 6. Em música:


Gostava Tanto de Você

Não sei por que você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...

Você marcou na minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Não sei por que você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...

Você marcou em minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate
...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Eu gostava tanto de você!
Eu gostava tanto de você!
Eu gostava tanto de você!
Eu gostava tanto de você!


Tim Maia



Medo da Chuva

É pena que você pense
Que eu sou seu escravo
Dizendo que eu sou seu marido
E não posso partir

Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao seu lado sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver

Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar

Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que choram sozinhas
No mesmo lugar

Eu não posso entender
Tanta gente aceitando a mentira
De que os sonhos desfazem aquilo
Que o padre falou

Porque quando eu jurei meu amor
Eu traí a mim mesmo, hoje eu sei
Que ninguém nesse mundo
É feliz tendo amado uma vez...
Uma vez

Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar

Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar
Vendo as pedras que
Sonham sozinhas no mesmo lugar


Raul Seixas

13 de janeiro de 2013

Perda versus perca

Perda palavra derivada do verbo perder  - perda (ê), s. f. 1. Ato ou efeito de perder. 2. Privação de uma coisa que se possuía. 3. Desaparecimento, extravio. 4. Dano, prejuízo. 5. Morte.

Ex.: “A mais lamentável de todas as perdas é a perda do tempo”. Philip Chesterfield
* As palavras que precedem ao vocábulo "perda" são dois artigos, estando em conformidade com a regra, ou seja, artigo é a palavra variável que precede o substantivo para determiná-lo de modo preciso (determinado) ou vago (indeterminado).

Perca verbo modo subjuntivo: perder

v. 1. Tr. dir. Ficar sem a posse de, sem a propriedade de, sem o domínio de. 2. Tr.dir. Sofrer afrouxamento, atenuação ou quebra de. 3. Tr. dir. e intr. Sofrer dano, detrimento, perda ou prejuízo em. 4. Tr. dir. Ter mau êxito em. 5. Pron. Desorientar-se, errar o caminho, transviar-se. 6. Tr. dir. Empregar sem proveito; desperdiçar. 7. Pron. Não vingar. 8. Tr. dir. e intr. Ficar vencido em; pagar ao concorrente ou parceiro que ganhou. 9. Tr. dir. Não chegar a tempo para. 10. Tr. dir. Deixar fugir, desperdiçar. 11. Pron. Desaparecer. 12. Pron. Extinguir-se (som ou rumor). 13. Tr. dir. Ficar separado pela morte de. 14. Pron. Baralhar-se, confundir-se. 15. Pron. Ficar absorvido ou preocupado. 16. Tr. dir. Levar à perdição; desgraçar. 17. Pron. Desgraçar-se. 18. Tr. dir. e pron. Desviar da prática do bem; corromper(-se). 19. Tr. dir. Deixar fugir, não aproveitar. Conj.: Irregular na 1.ª pessoa do sing. do pres. do indic. e, consequentemente, em todo o pres. do subj.: perca, percas, perca, percamos, percais, percam.

Ex.: "Que eu não perca a vontade de doar este enorme amor que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido a provas e até rejeitado."
Chico Xavier 
* Neste caso temos o verbo no tempo presente do modo subjuntivo, isto é, indicando um fato presente, porém incerto ou duvidoso. Em outras palavras, o subjuntivo (do latim “subjunctivus” – que serve para ligar, subordinar) é o modo utilizado nas orações subordinadas que dependem de verbos que estejam ligados à ideia de vontade, desejo, condição, dúvida, necessidade, etc. De forma geral, seu uso indica a probabilidade de que algo aconteça diferentemente do presente do indicativo.


Resumindo: Perca (verbo) é uma ação que necessita de algo para se concretizar e perda (substantivo) é o ato (o que se faz ou pode ser feito)/ efeito - resultado, consequência - disso sobre algo.

23 de dezembro de 2012

Descomplique: 10 dicas para você produzir sua redação

Comprei uma gramática com um conteúdo muito rico, compartilharei um deles. O assunto está inserido no livro "Português Esquematizado", de Agnaldo Martino. Espero que seja útil.
Para começar, o autor nos lembra que para escrever um bom texto é necessário que seja feito um planejamento. Organizar as ideias é extremamente importante no processo comunicacional. Tanto a escrita como a fala necessitam de ordenação para que a interação entre os emissor-mensagem-receptor se efetive.
Veja o passo-a-passo e garanta-se nas avaliações discursivas.

1º passo: Definir o tema e o posicionamento perante ele.
 
Algumas provas de redação nos apresentam os textos motivadores e o tema específico que se deve seguir. Outras provas nos dão-nos apenas o texto motivador. Neste caso, para se chegar ao tema, devemos perceber a ideia central do texto. Depois disso assumir um posicionamento diante dele. Não é possível escrever sobre algo sem tomar um partido, uma linha de raciocínio e sem definir um ponto de chegada. Isso tudo deve ser feito antes de começar a escrever, para que o texto não se torne vago.

2º passo: Relacionar, em forma de tópicos, todos os assuntos ligados ao tema.

É o que costumamos chamar de "brainstorming". Agora que já tem o tema definido, devem-se anotar todas as ideias relacionadas ao tema, sem nenhuma preocupação, sem nenhuma censura, sem nenhum desenvolvimento, pois assim você estará ampliando seu contato com o tema. Faça isso em forma de tópicos, de forma breve, sem se estender no desenvolvimento da ideia, apenas para assegurar de que haja assunto para o seu texto.

3º passo: Cortar alguns assuntos da relação preparada no passo anterior.

Agora é o momento da reflexão, da censura, do bom-senso. Neste passo, você deve reler um a um os assuntos elencados e verificar se eles podem ou não fazer parte do seu texto. Seja criterioso, verifique se aquele item merece ser utilizado ou desprezado. Uma maneira de chegar a essa decisão é perguntar a você mesmo sobre cada item: Eu sei falar disso? Isso é relevante para meu tema? Isso é de fácil desenvolvimento, ou despenderei muito tempo para tentar explanar tal assunto? Isso vai ao encontro do meu posicionamento? Isso pode contrariar o meu posicionamento? Isso, apesar de ser ligado ao tema, pode causar alguma divagação dentro do meu texto? Isso é importante, ou representa uma ideia secundária? Ao utilizar isso eu me mantenho dentro do tema, ou crio um viés para o texto? Ao responder a essas perguntas com consciência e segurança, você encontrará muitos itens e deixará muitos outros; deixará justamente os mais relevantes para o seu texto.
 
4º passo: Agrupar os assuntos que se relacionam em blocos de ideias.

Até aqui você fez uma coleta aleatória de ideias e definiu as que devem ou não fazer parte do seu texto. Chegou a hora de começar a ordená-los. O primeiro nível de organização é juntar as ideias que se correlacionam, pois se você escreve o seu texto as utilizando na sequência em que as relacionou corre o risco de repetir uma ou outra ideia em parágrafos diferentes; e isso não deve acontecer - cada parágrafo deve trazer um assunto, que não pode ser apresentado em outro. Aqui sua relação já começa a tomar outra forma. Releia os itens que você "deixou" na sua redação, alguns deles se relaciona com outro? Um traz o mesmo teor ideológico de outro ou outros? Isso faz com que você organiza os itens listados em blocos, e cada bloco então representa um parágrafo.

5º passo: Organizar os blocos de assuntos numa sequência lógico-progressiva.

É preciso dar ao seu texto uma progressão, para isso você deve dar uma sequência lógica aos parágrafos do seu texto, ou seja, uma sequência lógica em blocos resultantes do 4º passo. Você deve trabalhar com as ideias de causa e consequência, anterioridade e posterioridade - veja o que vem e o que pode consequência. Fazendo isso, você não corre o risco de se perder na escrita do seu texto, pois ele se desenvolverá de maneira linear, o que é bom para qualquer redação. Neste passo, você tem pronto todo o desenvolvimento de sua redação, de forma sintética, mas pronto e organizado.
 
 6º passo: Criar o parágrafo de introdução.

No 1º passo se pensou apenas no tema e no posicionamento, porém, ainda não se redigiu propriamente o parágrafo de introdução. O momento de fazer isso é agora, pois você tem consciência de tudo que estará no seu texto, assim fica mais fácil criar uma introdução. Lembre-se de que ela deve ser clara, concisa e objetiva, e deve apresentar o seu posicionamento. Não se perca em divagações, não tente provar nenhuma ideia neste parágrafo, pois isso você faz no desenvolvimento.

7º passo: Escrever os parágrafos de desenvolvimento.

Todas as ideias que você utilizará no seu texto já estão relacionadas, selecionadas, agrupadas e sequenciadas; resta agora transformar aqueles "blocos" do 5º passo em frases, orações, períodos. A partir da ideia predefinida, acrescente verbos, adjetivos, advérbios, ou seja, dê materialidade a sua ideia, transforme -a em períodos - simples ou compostos.

8º passo: Escrever a conclusão.
Seu texto já está pronto, falta apenas finalizá-lo. A melhor maneira de fazer isso é retornar ao tema e reafirmar seu posicionamento frente a ele. Para isso basta que se faça uma paráfrase do parágrafo de introdução. Você deve escrever as mesmas coisas da introdução, com outras palavras, sem mais nem menos. É assim que se faz uma boa conclusão.

9º passo: Revisão.

Você preparou um rascunho e, durante o fluxo de ideias, não se preocupou muito com alguns aspectos formais do texto. Chegou a hora de verificar isso: faça uma revisão gramatical quanto a: ortografia, acentuação, pontuação, concordância, regência, crase, colocação pronominal. Verifique também a organização das frases, evitando assim ambiguidades. Observe se não há repetição de palavras e outros vícios como rimas, ecos, aliterações. Tudo isso se faz neste momento de releitura do texto pronto.

10º passo: Passar a limpo.

Seu texto está pronto, deve ser passado para a folha a ser entregue ao examinador. Lembre-se de que a estética é um fator importante: faça a marcação adequada dos parágrafos, respeite as margens esquerda e direita (justificadas), utilize letra legível e evite rasuras.

Uso da crase

A crase indica a fusão da preposição a com artigo a: João voltou à (a preposição + a artigo) cidade natal. / Os documentos foram apresentados às (a prep. + as art.) autoridades. Dessa forma, não existe crase antes de palavra masculina: Vou a pé. / Andou a cavalo. Existe uma única exceção, explicada mais adiante.

Regras práticas

Primeira - Substitua a palavra antes da qual aparece o a ou as por um termo masculino. Se o a ou as se transformar em ao ou aos, existe crase; do contrário, não. Nos exemplos já citados: João voltou ao país natal. / Os documentos foram apresentados aos juízes. Outros exemplos: Atentas às modificações, as moças... (Atentos aos processos, os moços...) / Junto à parede (junto ao muro).
No caso de nome geográfico ou de lugar, substitua o a ou as por para. Se o certo for para a, use a crase: Foi à França (foi para a França). / Irão à Colômbia (irão para a Colômbia). / Voltou a Curitiba (voltou para Curitiba, sem crase). Pode-se igualmente usar a forma voltar de: se o de se transformar em da, há crase, inexistente se o de não se alterar: Retornou à Argentina (voltou da Argentina). / Foi a Roma (voltou de Roma).
Segunda - A combinação de outras preposições com a (para a, na, da, pela e com a, principalmente) indica se o a ou as deve levar crase. Não é necessário que a frase alternativa tenha o mesmo sentido da original nem que a regência seja correta. Exemplos: Emprestou o livro à amiga (para a amiga). / Chegou à Espanha (da Espanha). / As visitas virão às 6 horas (pelas 6 horas). / Estava às portas da morte (nas portas). / À saída (na saída). / À falta de (na falta de, com a falta de).

Usa-se a crase ainda

1 - Nas formas àquela, àquele, àquelas, àqueles, àquilo, àqueloutro (e derivados): Cheguei àquele (a + aquele) lugar. / Vou àquelas cidades. / Referiu-se àqueles livros. / Não deu importância àquilo.
2 - Nas indicações de horas, desde que determinadas: Chegou às 8 horas, às 10 horas, à 1 hora. Zero e meia incluem-se na regra: O aumento entra em vigor à zero hora. / Veio à meia-noite em ponto. A indeterminação afasta a crase: Irá a uma hora qualquer.
3 - Nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas como às pressas, às vezes, à risca, à noite, à direita, à esquerda, à frente, à maneira de, à moda de, à procura de, à mercê de, à custa de, à medida que, à proporção que, à força de, à espera de: Saiu às pressas. / Vive à custa do pai. / Estava à espera do irmão. / Sua tristeza aumentava à medida que os amigos partiam. / Serviu o filé à moda da casa.
4 - Nas locuções que indicam meio ou instrumento e em outras nas quais a tradição lingüística o exija, como à bala, à faca, à máquina, à chave, à vista, à venda, à toa, à tinta, à mão, à navalha, à espada, à baioneta calada, à queima-roupa, à fome (matar à fome): Morto à bala, à faca, à navalha. / Escrito à tinta, à mão, à máquina. / Pagamento à vista. / Produto à venda. / Andava à toa. Observação: Neste caso não se pode usar a regra prática de substituir a por ao.
5 - Antes dos relativos que, qual e quais, quando o a ou as puderem ser substituídos por ao ou aos: Eis a moça à qual você se referiu (equivalente: eis o rapaz ao qual você se referiu). / Fez alusão às pesquisas às quais nos dedicamos (fez alusão aos trabalhos aos quais...). / É uma situação semelhante à que enfrentamos ontem (é um problema semelhante ao que...).

Não se usa a crase antes de

1 - Palavra masculina: andar a pé, pagamento a prazo, caminhadas a esmo, cheirar a suor, viajar a cavalo, vestir-se a caráter. Exceção. Existe a crase quando se pode subentender uma palavra feminina, especialmente moda e maneira, ou qualquer outra que determine um nome de empresa ou coisa: Salto à Luís XV (à moda de Luís XV). / Estilo à Machado de Assis (à maneira de). / Referiu-se à Apollo (à nave Apollo). / Dirigiu-se à (fragata) Gustavo Barroso. / Vou à (editora) Melhoramentos. / Fez alusão à (revista) Projeto.
2 - Nome de cidade: Chegou a Brasília. / Irão a Roma este ano. Exceção. Há crase quando se atribui uma qualidade à cidade: Iremos à Roma dos Césares. / Referiu-se à bela Lisboa, à Brasília das mordomias, à Londres do século 19.
3 - Verbo: Passou a ver. / Começou a fazer. / Pôs-se a falar.
4 - Substantivos repetidos: Cara a cara, frente a frente, gota a gota, de ponta a ponta.
5 - Ela, esta e essa: Pediram a ela que saísse. / Cheguei a esta conclusão. / Dedicou o livro a essa moça.
6 - Outros pronomes que não admitem artigo, como ninguém, alguém, toda, cada, tudo, você, alguma, qual, etc.
7 - Formas de tratamento: Escreverei a Vossa Excelência. / Recomendamos a Vossa Senhoria... / Pediram a Vossa Majestade...
8 - Uma: Foi a uma festa. Exceções. Na locução à uma (ao mesmo tempo) e no caso em que uma designa hora (Sairá à uma hora).
9 - Palavra feminina tomada em sentido genérico: Não damos ouvidos a reclamações. / Em respeito a morte em família, faltou ao serviço. Repare: Em respeito a falecimento, e não ao falecimento. / Não me refiro a mulheres, mas a meninas.
Alguns casos são fáceis de identificar: se couber o indefinido uma antes da palavra feminina, não existirá crase. Assim: A pena pode ir de (uma) advertência a (uma) multa. / Igreja reage a (uma) ofensa de candidato em Guarulhos. / As reportagens não estão necessariamente ligadas a (uma) agenda. / Fraude leva a (uma) sonegação recorde. / Empresa atribui goteira a (uma) falha no sistema de refrigeração. / Partido se rende a (uma) política de alianças.
Havendo determinação, porém, a crase é indispensável: Morte de bebês leva à punição (ao castigo) de médico. / Superintendente admite ter cedido à pressão (ao desejo) dos superiores.
10 - Substantivos no plural que fazem parte de locuções de modo: Pegaram-se a dentadas. / Agrediram-se a bofetadas. / Progrediram a duras penas.
11 - Nomes de mulheres célebres: Ele a comparou a Ana Néri. / Preferia Ingrid Bergman a Greta Garbo.
12 - Dona e madame: Deu o dinheiro a dona Maria . / Já se acostumou a madame Angélica. Exceção. Há crase se o dona ou o madame estiverem particularizados: Referia-se à Dona Flor dos dois maridos.
13 - Numerais considerados de forma indeterminada: O número de mortos chegou a dez. / Nasceu a 8 de janeiro. / Fez uma visita a cinco empresas.
14 - Distância, desde que não determinada: A polícia ficou a distância. / O navio estava a distância. Quando se define a distância, existe crase: O navio estava à distância de 500 metros do cais. / A polícia ficou à distância de seis metros dos manifestantes.
15 - Terra, quando a palavra significa terra firme: O navio estava chegando a terra. / O marinheiro foi a terra. (Não há artigo com outras preposições: Viajou por terrra. / Esteve em terra.) Nos demais significados da palavra, usa-se a crase: Voltou à terra natal. / Os astronautas regressaram à Terra.
16 - Casa, considerada como o lugar onde se mora: Voltou a casa. / Chegou cedo a casa. (Veio de casa, voltou para casa, sem artigo.) Se a palavra estiver determinada, existe crase: Voltou à casa dos pais. / Iremos à Casa da Moeda. / Fez uma visita à Casa Branca.

Uso facultativo

1 - Antes do possessivo: Levou a encomenda a sua (ou à sua) tia. / Não fez menção a nossa empresa (ou à nossa empresa). Na maior parte dos casos, a crase dá clareza a este tipo de oração.
2 - Antes de nomes de mulheres: Declarou-se a Joana (ou à Joana). Em geral, se a pessoa for íntima de quem fala, usa-se a crase; caso contrário, não.
3 - Com até: Foi até a porta (ou até à). / Até a volta (ou até à). No Estado, porém, escreva até a, sem crase.

Locuções com e sem crase

  • a álcool
  • à altura (de)
  • à americana
  • à argentina
  • à baiana
  • à baila
  • à baioneta calada
  • à bala
  • a bandeiras despregadas
  • à base de
  • à beça
  • à beira (de)
  • à beira-mar
  • à beira-rio
  • a bel-prazer
  • a boa distância de
  • à boca pequena
  • à bomba
  • a bordo
  • a bordoadas
  • a braçadas
  • à brasileira
  • à bruta
  • à busca (de)
  • a cabeçadas
  • à cabeceira (de)
  • à caça (de)
  • a cacetadas
  • a calhar
  • a cântaros
  • a caráter
  • à carga
  • a cargo de
  • à cata (de)
  • a cavalo
  • a cerca de
  • a certa distância
  • à chave
  • a chibatadas
  • a chicotadas
  • a começar de
  • à conta (de)
  • a contar de
  • à cunha
  • a curto prazo
  • à custa (de)
  • a dedo
  • à deriva
  • a desoras
  • a diesel
  • à direita
  • à disparada
  • à disposição
  • a distância
  • a duras penas
  • a elas(s), a ele(s)
  • a eletricidade
  • à entrada (de)
  • a escâncaras
  • à escolha (de)
  • à escovinha
  • à escuta
  • a esmo
  • à espada
  • à espera (de)
  • à espora
  • à espreita (de)
  • à esquerda
  • a esse(s), a essa(s)
  • a este(s), a esta(s)
  • a estibordo
  • à evidência
  • à exaustão
  • à exceção de
  • a expensas de
  • à faca
  • a facadas
  • à falta de
  • à fantasia
  • à farta
  • à feição (de)
  • a ferro
  • a ferro e fogo
  • à flor da pele
  • à flor de
  • à fome
  • à força (de)
  • à francesa
  • à frente (de)
  • à fresca
  • a frio
  • a fundo
  • a galope
  • a gás
  • a gasolina
  • à gaúcha
  • a gosto
  • à grande
  • a grande distância
  • a granel
  • à guisa de
  • à imitação de

24 de outubro de 2012

Concordância

Para que serve a concordância?

A concordância - verbal ou nominal - está ligada aos princípios lógicos que regem a língua e o pensamento humano. Concordar adequadamente o sujeito com o verbo ou adjetivo com o nome pode tornar o texto mais preciso, sem ambiguidades, mas o principal valor da concordância é social.
Socialmente, existe uma norma de prestígio, que é a norma culta. Em determinadas formas de situações formais - como falar em público, fazer entrevistas para conseguir emprego, falar com autoridades, etc. - devemos observar essa norma, senão corremos o risco de sermos julgados de forma preconceituosa e não alcançamos nossos objetivos.
E, na norma de prestígio, um dos princípios mais notados e exigidos socialmente é o da concordância. 





Concordância nominal - Preste atenção ao cortar e reescrever textos. É deste trabalho que surgem os piores erros de concordância nominal: A medida foi criticados; Aparelhagem de microscopia mal regulado. Esse tipo de erro ocorre quando o redator troca um substantivo por outro de gênero ou número diferentes -decretos por medida, aparelho por parelhagem- e não adapta o adjetivo. Redobre a atenção com períodos longos.

Tome cuidado também com as construções em que um adjetivo qualifica mais de um substantivo: A casa e o prédio velhos; Foi confiscada a carne e o gado. Aplique nesses casos regras análogas às da concordância verbal, expostas no próximo verbete. Lembre-se de que em português o masculino prevalece sobre o feminino: Alexandra e Herculano são bons autores.



Concordância verbal - Há uma única regra: o verbo concorda em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) com o sujeito da oração. É errado dizer nós vai ou ele são, como qualquer um percebe. Mas logo surgem as dificuldades: mais de um é ou mais de um são? Existe Deus e o diabo ou existem Deus e o diabo? Em geral, as duas construções são admitidas e podem ter significados diferentes.

A maioria das dificuldades ocorre quando coexistem palavras de caráter fortemente plural e singular no mesmo sujeito:

a) Coletivos - Às vezes, as ideias de plural e singular existem ao mesmo tempo numa única palavra. É o caso dos coletivos. A palavra exército, mesmo no singular, encerra a ideia de plural (um exército é composto de vários soldados). Ninguém escreve o exército são. Mas Alexandre Herculano escreveu: "Vadeado o rio, a cavalgada encaminhou-se por uma senda tortuosa que ia dar à entrada do mosteiro, onde desejavam chegar". Trata-se da concordância lógica (também chamada ideológica ou siléptica) que se opõe à concordância gramatical. Evite esse tipo de construção; prefira o singular: A maioria acredita no governo.

Mas atenção: tanto faz escrever a maioria dos entrevistados acreditam quanto acredita. Havendo um substantivo seguido da preposição de e de outro substantivo ou pronome formando um partitivo, o verbo pode ir para o plural (concordância lógica) ou singular (concordância gramatical), dependendo da ênfase que se quer dar. O uso do singular reforça a ideia de conjunto. O plural, a de individualidade dos membros do conjunto.

Há casos em que a concordância lógica é preferível: A pesquisa revelou que 1% das mulheres brasileiras são desquitadas; A campanha prevê que 1 milhão de crianças sejam vacinadas. De acordo com a concordância gramatical, os períodos ficariam: A pesquisa revelou que 1% das mulheres brasileiras é desquitado; A campanha prevê que 1 milhão de crianças seja vacinado;

b) Um - Este numeral está impregnado de singularidade. Quando faz parte de um sujeito logicamente plural, carrega o verbo para o singular: Cada um daqueles deputados era servido por 40 motoristas; Mais de um brasileiro deseja ganhar na loteria. Exceção: Mais de um ministro se cumprimentaram na recepção (porque há ideia de reciprocidade).

Tome cuidado com a expressão um dos que, que de preferência deve ser acompanhada de plural. Mas atenção: a concordância pode alterar o sentido da frase: Schwartzkopf foi um dos generais que mais se distinguiram na Guerra do Golfo (ele se distinguiu, entre outros generais que também se distinguiram), mas Schwartzkopf foi um dos generais que mais se distinguiu na Guerra do Golfo (ele foi o que mais se distinguiu); O Sena é um dos grandes rios que passa por Paris (é o único grande rio que passa por Paris). Evite esta última construção, que é muito sutil para texto noticioso.

As expressões um e outro e nem um nem outro podem ser usadas tanto com plural como com singular, indistintamente: um e outro é bom ou um e outro são bons. Prefira o plural se a expressão vier acompanhada de um substantivo: um e outro homem são bons.

Também costumam apresentar dificuldade os seguintes tópicos:

a) Ou - Use o singular se ou introduzir ideia de exclusividade: Nicodemo ou Aristarco será eleito presidente (apenas um deles será eleito); se os dois agentes puderem realizar a ação, o verbo vai para o plural: Nicodemo ou Aristarco devem chegar nos próximos minutos;

b) Nem - Pode levar o verbo para o plural ou o singular, indistintamente. Nem Ulisses nem Eneas será eleito presidente; Nem Ulisses nem Eneas serão eleitos presidente;

c) Com - Se a relação for de igualdade, o verbo vai para o plural: O general com seus oficiais tomaram o quartel. Se os elementos não têm a mesma participação, o verbo vai para o singular: Bush com seus aliados venceu o Iraque. Esse tipo de concordância também vale para expressões como não só... mas também, tanto... como, assim... como. Esse tipo de construção é precioso demais para textos noticiosos;

d) Verbo antes do sujeito composto - Nestes casos, o verbo pode concordar com o elemento mais próximo ou com o conjunto: Estréia o filme e a peça ou Estréiam o filme e a peça. Use o plural se o sujeito composto for uma sucessão de nomes próprios ou se a ação for de reciprocidade: Adoeceram Maria, Carla e Paula; Enfrentam-se Corinthians e Palmeiras. Essas construções também são preciosas demais para ser usadas em textos noticiosos;

e) Gradação/resumo - Sujeitos compostos devem ser conjugados com o verbo no singular se constituírem uma gradação: "Aleluia! O brasileiro comum, o homem do povo, o joão-ninguém, agora é cédula de Cr$ 500,00!" (Carlos Drummond de Andrade).

O singular também vale para sujeitos compostos resumidos por palavras como tudo, nada, ninguém, nenhum, cada um: Jogo, bebida, sexo e drogas, nada pôde satisfazê-lo;

f) Pronomes - Eu e tu somos, tu e ele sois, eu e ele somos. A 1ª pessoa prevalece sobre a 2ª, que prevalece sobre a 3ª. Essas construções são raras no jornalismo.

Se o pronome pessoal vier antecedido de interrogativos ou indefinidos como quais, quantos, alguns, poucos, muitos, na norma culta, o verbo concorda com o pronome pessoal: Poucos de nós conhecemos a gramática. Admite-se também a concordância mais coloquial com o indefinido ou interrogativo: Poucos de nós conhecem a gramática;

g) Quem/que - Sou um homem que pensa ou sou um homem que penso, mas sou eu quem fala. Com quem o verbo vai sempre para a 3ª pessoa;

h) Pronomes de tratamento - O verbo e o pronome possessivo ficam sempre na 3ª pessoa: Vossa santidade deseja sua Bíblia? Se houver um adjetivo, ele concorda com o sexo da pessoa a que se refere: Sr. governador, vossa excelência está equivocado;

i) Sujeitos infinitivos - Quando o sujeito de uma frase é uma sucessão de infinitivos genéricos, use o singular: Plantar e colher não dá dinheiro. Se os infinitivos forem determinados, plural: O comer e o beber são necessários à saúde;

j) Nomes próprios - Se o sujeito é um nome próprio plural e estiver ou puder estar precedido de artigo, use o plural: Os EUA lançaram um ultimato a Saddam Hussein; Os Andes são uma cadeia de montanhas; As Filipinas são um arquipélago. Outros nomes perderam a ideia de plural: O Amazonas corre em direção ao mar; Minas Gerais é um Estado brasileiro; Alagoas tem belas praias;

l) Nomes de obras - Mesmo no plural, dê preferência ao singular: "Os Pássaros" é um filme de Hitchcock; "Os Lusíadas" é a obra-prima de Camões;

m) Nomes de empresas - O verbo também pode ir para o singular quando o sujeito é um nome de empresa no plural: Lojas Arapuã adota nova estratégia, ou adotam nova estratégia;

n) Concordância por atração - Em frases com o verbo de ligação ser, o verbo pode concordar com qualquer elemento (sujeito ou predicativo). Em geral, concorda com o mais forte: Isto são histórias; O que trago são fatos; Emília era as alegrias da avó; Dois milhões de dólares é muito dinheiro.


Bibliografia:

Cereja, Willian Roberto. Gramática: texto, reflexão e uso. São paulo: Atual, 1998.

Concordância verbal e nominal. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/manual_texto_c.htm.> Acesso em 24set2012.