4 de agosto de 2012

Olimpíada de Língua Portuguesa: Texto de apoio para realizar uma entrevista

REGISTRO DE HISTÓRIAS


    Cada um de nós carrega dentro de si lembranças e vivências de momentos marcantes, de experiências prazerosas ou difíceis, marcos de mudança e descobertas. E, cada experiência vivida, que nos parece tão particular, está repleta das memórias de grupos aos quais pertencemos, refletindo a história de um tempo, ou melhor, do nosso tempo. 
    Por isso, a história de vida de toda pessoa é valiosa e merece ser preservada e socializada. O registro da história é o primeiro passo para isso e pode ser feito em um depoimento escrito, em uma gravação de áudio ou vídeo, por meio de uma entrevista, ou ainda um relato coletivo produzido numa roda de histórias.
    Vamos aqui propor situações para que a memória de cada um possa emergir, ser registrada e compartilhada, pois registrar, difundir e articular as visões, práticas, sonhos é uma forma poderosa de construir fontes alternativas para a compreensão dos processos históricos.

Entrevista

    "Entrevistar uma pessoa é ajudá-la a revelar sua história de vida como narrativa construída a partir de suas memórias, daquilo que viveu e conheceu. Por isso, a entrevista pressupõe a interação entre quem conta, o entrevistado e o entrevistador. Cabe ao entrevistador auxiliar o entrevistado a organizar as lembranças de sua vida em uma narrativa própria.
    Nesse caso, a entrevista é uma prática de interação entre dois lados: quem conta e quem pergunta/ouve. Ao contrário de um “interrogatório” ou “questionário”, o que se busca é criar um momento de troca e diálogo entre as duas partes, sendo que o assunto da conversa é a história de vida de uma delas.     Podemos dizer que a entrevista é um produto em co-autoria do entrevistado e do entrevistador.
Busca-se transformar a entrevista num momento solene, até mesmo sublime, em que a pessoa possa se religar a sua memória e contar sua história, com ajuda de um entrevistador atento e respeitoso. É como puxar o fio da memória e deixar que a narrativa flua.
    Costumamos dizer que, para uma boa entrevista, pode bastar uma primeira pergunta. A partir de então, é saber ouvir uma história que muitas vezes está simplesmente guardada, pronta para ser contada. Cabe ao entrevistador auxiliar a pessoa a organizar as lembranças que vêm à tona em uma narrativa própria.
    Cada entrevistado não é entendido, portanto, como uma mera fonte de “informações” sobre o assunto, mas, sim, como uma pessoa que de alguma maneira vivenciou um pedaço daquela história. Neste sentido, sua narrativa de vida é, em si mesma, a principal fonte que se quer coletar.
    De fato, quando ouvimos uma história, estamos recebendo um presente delicado e profundo de alguém: sua história de vida. Cuidados especiais podem ser tomados para retribuir ao entrevistado seu presente: uma cópia de sua entrevista, um certificado, uma carta de agradecimento etc. Além do reconhecimento por sua participação, todos estes cuidados constituem estratégias para que o entrevistado se conscientize da importância de sua história e dos desdobramentos que ela pode ter ao ser integrada às histórias de sua comunidade e da sociedade como um todo.

Alguns pontos sobre o papel e a postura do entrevistador:

    A entrevista pode ser realizada por duas pessoas: uma assume a interlocução direta com o entrevistado e a outra observa e, com uma visão do todo, percebe os “ganchos” perdidos e ajuda a complementar.
Uma entrevista de história de vida dura, no mínimo, uma hora e meia, mas pode também ter mais horas de duração, em várias sessões.
    O entrevistado é o autor principal da narrativa. É ele quem deve determinar o ritmo, o estilo e o conteúdo da sua história. No entanto, o sucesso da entrevista depende muito do entrevistador. Cabe-lhe ajudar o entrevistado, fazendo perguntas, estimulando seu relato. É importante, portanto, se preparar para esse momento. A elaboração de um roteiro da entrevista ajuda bastante.
    O roteiro, porém é apenas um estímulo. É necessário estar totalmente disponível. Ser curioso, escutar com atenção. As melhores perguntas surgem da própria história que está sendo contada. Se o entrevistado falar sem perguntas, pode seguir sem interrupção, mesmo que pareça que ele esteja saindo fora do tema. Apenas interferimos quando for realmente necessário, seja para retomar o fio da meada, seja para ajudá-lo a seguir.
    O corpo, os olhos, os movimentos fazem parte do diálogo e influenciam a construção da narrativa. É necessário estar atento. Cuidado em não demonstrar impaciência, olhando o relógio.
    O entrevistador não discute opiniões ou cobra verdade e precisão histórica. O objetivo da entrevista é registrar a experiência pessoal que o entrevistado tem dos acontecimentos e não uma verdade absoluta. O papel do entrevistador é estimular e auxiliar o entrevistado na construção da história que ele quer contar. E certamente a emoção faz parte.

Dicas para o registro da entrevista:

    Todo o material e equipamento necessário para a realização da entrevista deve ser ordenado e testado antes da entrevista.
    Vale a pena gravar um pequeno cabeçalho informando nome completo do entrevistado, entrevistadores, data e local do registro. Incorporada à gravação, essa claquete permite a identificação imediata dessa nova fonte histórica.
   Vários podem ser os ambientes para a realização da entrevista. Mas, preferencialmente, locais silenciosos, sem muitos estímulos presentes e os celulares devem ser desligados.
    É importante que a entrevista não seja interrompida pelos entrevistadores, pela equipe de gravação, ou por pessoas do entorno, mas avisar o entrevistado que, sempre que ele quiser, poderá ser feito um intervalo.

Roteiro da entrevista:

    O roteiro é uma seqüência de perguntas elaboradas pelo entrevistador, que o ajuda a preparar-se para a entrevista. Não deve ser entendido como um questionário rígido, mas como um guia para “puxar o fio da memória” do entrevistado.
    O desafio é construir uma seqüência de perguntas que ajude a pessoa a encadear seus pensamentos e organizar a narrativa à sua maneira. O tipo e a ordem das perguntas - estejam ou não previstas no roteiro – tendem a definir o tipo de história que será contada.
    Deve-se priorizar a narrativa, as histórias, cuidando para o entrevistado não se perder em comentários e opiniões genéricas.

Algumas dicas para construção do roteiro:

  1. Para começar - Iniciar com perguntas fáceis de responder, como nome, local e data de nascimento. Além de contextualizar a pessoa, essas perguntas têm a função de “esquentar” a entrevista. É como um começo delicado de um relacionamento, e nada como perguntas simples e objetivas para deixar o entrevistado à vontade e ajudá-lo a mergulhar em suas memórias.
  2. Encadeamento - A ordem cronológica costuma ser um bom fio condutor da conversa, mas não é o único. Vale observar se a comunidade ou grupo tem outra lógica de organização de suas histórias. Se for adotado o critério cronológico, o roteiro pode ser organizado em três grandes blocos de perguntas:
  • Introdução: origem da pessoa, pais, avós, infância.
  • Desenvolvimento: fases da sua trajetória, incluindo, se for o caso, o tema específico do projeto.
  • Finalização: conclusão da história, relação com o presente e o futuro. Número de perguntas: O roteiro não precisa ser extenso nem exaurir todos os temas, pois é apenas uma base para a entrevista. Um bom exercício é começar construindo 10 perguntas (três de início, quatro de desenvolvimento e três de finalização) e depois subdividir cada uma em sub-blocos temáticos.
Perguntas que ajudam:

  • Descritivas - Recuperam detalhes envolventes. Exemplo: descreva como era a casa de sua infância.
  • De movimento - Ajudam a continuar sua história. Exemplo: o que você fez depois que saiu de casa?
  • Avaliativas - Provocam momentos de reflexão e avaliação. Exemplo: como foi chegar à cidade grande
Perguntas que atrapalham:

  • Genéricas - Estimulam respostas genéricas (“boa” ou “muito difícil”), sem histórias. Exemplo: como foi sua infância?
  • Puramente informativas - Podem desconcertar o entrevistado e interromper sua narrativa. Exemplo: qual era o nome da praça? (Se importante, tal dado deve ser pesquisado antes ou depois da entrevista.)
  • Com pressupostos - Propiciam respostas meramente opinativas. Exemplo: o que você acha da situação atual do Brasil?
  • Com julgamento de valor - Atendem apenas a hipóteses e anseios do entrevistador. Exemplo: Você não acha que deveria ter feito algo?"


MODELO: FICHA DE ENTREVISTA
(Olimpíada de Língua Portuguesa)


Aluno:
Série: 
Data: 
Professor orientador:
Entrevista
Entrevistador: ­­­­
Entrevistado: ­­­­­­­­­­­­­­­­
Local: 
Cidade:
Estado:
Data da entrevista:
Dados do entrevistado:
Nome completo: 
Idade:
Data de nascimento: 
Sexo: ( ) masculino ( ) feminino
Local de nascimento:­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­
Estado de origem:
Tema da entrevista: O Lugar onde vivo
Objetivo: resgatar a história de vida do entrevistado, para a partir de então, produzir um texto do gênero memórias literárias.
Tempo de duração: 

Roteiro para entrevista:
  • Colete dados pessoais, assim como os descritos acima.
  1. Há quanto tempo mora no local/ cidade?
  2. Conte sobre sua trajetória de vida.
  3. Como era o bairro/ cidade que senhor ou senhora foi criado(a)?
  4. Qual foi o fato marcante do lugar onde sr.(a) morava?
  5. Relate para mim um fato feliz e um fato triste.
  6. Quais eram as brincadeiras?/ O que o sr.(a) fazia para se divertir?
  7. Como eram os costumes da época em que era mais jovem?
  8. Como era o modo de falar das pessoas?
  9. O sr.(a) tem alguma foto, registro documental (carta, cartão-postal...) ou objeto daquele tempo? [usar esse recurso para reconstruir a história durante o diálogo com o entrevistado, estimulando as suas recordações.]
  10. O que existia antigamente na época que era novo e hoje não existe mais?
  11. O que sr.(a) gostaria que continuasse do seu tempo de infância ou mocidade?
  12. Peça ao entrevistado que faça uma comparação entre sua infância/ juventude com os dias atuais.
  • Anexar uma foto da entrevista/ ou entrevistado (colocar legenda)

Relato de experiência (do entrevistador/estudante)

Redija seu texto com base nestas questões:

  • Foi fácil encontrar alguém para entrevistar? Quem era a pessoa?
  • O que aconteceu quando você chegou para a conversa?
  • Quais as perguntas e as respostas feitas durante a conversa? Cite a que mais te emocionou.
  • Qual a reação do entrevistado quando falou de suas lembranças? Demonstrou saudade, alegria, tristeza?
  • Como você fez para não esquecer o que o entrevistado disse? [Anotou no caderno, gravou em forma de vídeo ou de áudio? Pelo celular? Gravador de áudio ou câmera?]

Veja uma entrevista feita por estudantes, assim como você:






Marcadores temporais e espaciais






Datas.

 Mas o que são datas? Datas são pontas de icebergs. O navegador que singra a imensidão do mar bendiz a presença dessas pontas emersas, sólidos geométricos, cubos e cilindros de gelo visíveis a olho nu e a grandes distâncias. Sem essas balizas naturais, que cintilam até sob a luz noturna das estrelas, como evitar que a nau se espedace de encontro às massas submersas que não se veem?” (Bosi, 1992)




        Tempo e espaço têm função de situar o leitor, são elos representativos da memória, da história e do imaginário. No que se diz respeito ao tempo: situa o receptor do texto em um determinado momento ligado ao presente, passado ou futuro, e também, quando trata-se de espaço: em um lugar, direção, limite, distância, percurso, trajeto. Ambos relacionam entre si, pois todo ato comunicativo está situado no tempo e no espaço.
    Uma notícia de jornal ao apresentar a manchete com uma forma verbal no tempo presente, por exemplo, aproxima o leitor do fato acontecido porque traz a informação para um momento atual, tal qual quem o lê. Temos também os textos narrativos que priorizam fatos/ acontecimentos de tempos passados, reportando aquele que lê em um tempo que ficou para traz e que terá de ser reconstruído a partir de descrições diversas.
    Tudo que acontece no mundo físico está inserido no processo temporal e espacial, o que está fora dele transcende nossa razão. Neste caso, está ligado ao fantástico e ao imaginário, tratando-se de texto narrativo, por isso ganha formas atemporais, podendo haver "flash-back", ilogismo, elipses/lacunas, digressões e assim por diante.

Marcadores temporais


Tempo atual, presente: hoje, atualmente, agora, agora mesmo, já neste instante, o dia de hoje, modernamente, já, neste momento, recentemente, ultimamente, época atual, hoje em dia, nessa altura do campeonato...

Tempo próximo: neste instante, logo mais, este ano, mais dia, menos dia...

Passado: anteontem, ontem, tempos idos, outros tempos, outras eras, outrora, antigamente, naquele dia, na véspera, um dia depois de..., retrasado, retrospectivo, retroativo, pregresso ...

Futuro: porvir, vindouro, daqui a dois anos, amanhã, futuramente, em breve, dentro em pouco, proximamente, iminente, prestes a, no dia seguinte, logo, posteridade, ao fim daquele dia...

Tempo remoto: Há muitos séculos, e lá vai pedra, e lá vai fumaça, primitivo, no tempo das cavernas, secular, milenar, antiquíssimo, vetustos dias...

Transcurso do tempo, ou extensão temporal, ou período: das 6 às 10 horas...

Época indeterminada: algum dia, um dia, certa vez, era uma vez, um belo dia...

Tempo cronológico exato: daqui duas horas, 2 de setembro, em 2000...

Tempo cronológico definido: dias da semana: segunda-feira, terça-feira..., dos meses: janeiro, fevereiro..., horas: 1 hora, 12 horas, em um minuto..., diurno, vespertino, matutino, noturno, semanal, mensal, quinzenal, semestral, anual, dominical, sazão...

Tempo cronológico indefinido: entre duas e três da manhã,

Anterior: antes de, antes que, anteontem, no início...

Tempo inicial: desde que, desde quando...

Tempo em que termina a ação encerrada no passado e que se prolonga até o momento em que se fala: a primeira vez que, a última vez que...

Progressão de tempo: à medida que, à proporção que...

Tempo de uma ação realizada no passado e esperada no futuro/ que modifica o que está feito: da próxima vez que, doravante, de agora em diante, daqui para frente, retroativo...

Antecipação: primeiro, antes, antes de, antecipadamente, prematuro, primogênito, prenúncio, véspera, precoce ...

Posterior: depois, depois de, depois que, posteriormente, a seguir, em seguida, sucessivamente, por fim, mais tarde, ulterior, seguinte, no verão, no retorno de[da escola]; ...

Tempo imediatamente posterior: logo que, mal, assim que, depois de alguns dias, desse dia em diante, a partir de amanhã ...

Intervalo: meio tempo, ínterim, entre agora e depois, entre hoje e ontem, interstício, ínterim, pausa, trégua, meio tempo, intermitente, periodicamente, nos finais de semana...

Simultâneo: sincrônico, quando, enquanto, durante, ao mesmo tempo, simultaneamente, coincidentemente, ao passo que, à medida que, paralelamente…

Quase simultâneo: por pouco, por um triz ...

Frequência: a cada dia, dia a dia, constantemente, habitualmente, costumeiramente, usualmente, corriqueiramente, repetidamente, tradicionalmente, novamente, com frequência, muitas vezes, sempre que, todas as vezes que, corriqueiro, habitual, usual, recorrente, todo dia, todos os dias ao amanhecer [anoitecer],  desde que o mundo é mundo, de geração em geração...

Infrequência: raras vezes, raramente, raro, poucas vezes, nem sempre, ocasionalmente, esporadicamente, de quando em quando, de vez em quando, de tempos em tempos, às vezes, uma vez ou outra, vez por outra, eventualmente, anualmente, a cada três meses...

Durativo: há quase dois anos, tem muito tempo, anos, bilênio, ciclo, década, estação, primavera, tempão, altas horas, dia-a-dia, horas e horas...

Momento exato: em ponto, pontualmente, pontualidade britânica, preciso...

Momento inexato: em cima da hora, tardio, foi mais ou menos nessa época que, algum tempo depois...

Curta duração: transitório, passadiço, efêmero, ocaso, instantâneo, efêmero, fugaz, precário, momentâneo, provisório, interino, bocadinho, alvorada, crepúsculo, dia, entardecer, expediente, hora, lusco-fusco, matina, microssegundo, momento, solstício, véspera, cedinho, de dia, de um dia para outro, passageiro, num abrir e fechar os olhos, num átimo, num piscar de olhos, por enquanto, temporário, num passe de mágica, pôr-do-sol...

Cessativo: termino, acabado, cessado, até que, por fim, fim, finalmente, último..

Perpetuidade: eternidade, eterno, permanente, ininterrupto, constante, contínuo, duradouro, cíclico etc.

Prorrogado: procrastinado, delongado, adiado ...

Tempo psicológico (subjetivo): o tempo corria devagar; as horas passavam a perder de vista, naquela época; [os] anos se passaram; desde que o mundo é mundo; no meu tempo; com o rodar dos anos; no meu tempo de criança; se não me falha a memória, lá pelos idos de XXXX; faz muito tempo que; de lá pra cá; o tempo fluía como correnteza; o tempo passou...; o tempo passou depressa; lembro-me como se fosse hoje; se bem me lembro; mal o dia nascia; antes de o sol nascer; nas horas claras/escuras do dia; na hora de dormir; muito tempo se passou; quando o sol dava as caras; o tempo foi passando; com o passar dos anos; bons tempos aqueles em que; os dias vão se passando; na aurora do dia;  assim os dias foram passando; eram épocas difíceis; na minha juventude; já se passaram tantos anos; há muito tempo; naqueles idos; o presente e o passado se completam num vaivém como no remanso da maré [das ondas, das estações, das canoas]; o passado e o presente se fundem em um [...]; durante toda a minha juventude; ao aparecimento dos primeiros raios de sol; antes do raiar do sol; quando era noite de lua nova [cheia]; todo tempo do mundo; as marcas do tempo; sem perder tempo;  tudo começou há; mal via a hora de chegar; nos meus tempos de outrora, o sol começava a se pôr; os tempos que não voltam mais; lembro-me com saudade do tempo que...; faz tanto tempo!;  o tempo passou sem que eu percebesse;  à tardezinha...; passagem marcante em minha [infância, juventude, velhice, de rapazote...]; o tempo urge; o tempo não apaga; os dias se foram; as memórias iam correnteza abaixo; quando a noite principiava; nos velhos tempos; minhas lembranças voam e retornam ao passado; e assim o tempo foi passando; com o olhar fixo nas lembranças do passado; momentos a perder de vista; guardo vivas em minha memória lembranças de meu tempo de...; viajo a tempos remotos; dentro de pouco tempo; o tempo não tem dó da gente, ele se esvai; não me esqueço do dia em que [como posso esquecer do dia em que...?]; o tempo encarregou-se de...; os anos não trazem mais; anos mais tarde; tempos da meninice;  as lembranças passeiam por...; bem de tardinha; vi o tempo devorar os longos anos da minha vida; ao voltar no tempo...
 
Fora do domínio do tempo: atemporal, acrônico, intemporal, anacrônico...

Relacionados ao campo semântico do tempo: compassado, ritmado, fresco, depressa, vagaroso, decorrente...

Marcadores espaciais


sob a, abaixo de, acerca, a céu aberto, adonde, afora, à frente, aquém, por trás de, atrás, avante, adiante, cá, aqui, além, abaixo acolá, adiante, acima, embaixo, antes, depois, arrabalde, arredor, algures, em algum lugar, em alguma parte, alhures, em outro lugar, adjacência, boqueirão, biboca, cercania, imediação, vizinhança, além-mar, cafundó, cafundó-do-judas, circunscrição, confim, fronteira, raia, dianteiro, traseira, distante, habitat, limbo, local, localidade, logradouro, lonjura, lugarejo, ponto, povoado, quebrada, redondeza, rua, ruela, rumo, saída, entrada, setor, sítio, naquele pedaço de chão  etc.


Referências:


AZEREDO, José Carlos de. Fundamentos da gramática do português. 3.ed. - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. , 2004.
BOSI, Alfredo (org.). Tempo e História. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
MASSARANDUBA, Elisabeth de M.; CHINELLATO, Thaís Montenegro. Narração – Teoria e Textos: Professoras (Curso Objetivo). Disponível em: http://www.clickescolar.com.br/narracao-teoria-e-textos.htm. Acesso em: 20 de jun. de 2012.
OLÍVIA, Madre; Fávero, Leonor Lopes; Silveira, Regina C. Pagliuchi. Uma Gramática de Texto - Orientações a professores de 1º grau . Rio de Janeiro: Editora Vozes1984.

3 de agosto de 2012

Curiosidade da Língua Portuguesa: a interjeição "alô!" vem do francês

Assim que surgiu o telefone, o francês costumava atender assim: allons (= depressa, vamos logo!). A palavra pedia pressa, mas ela própria era demasiado longa, já que o som nasal a esticava demais. Passou-se, então, a dizer apenas alô! e assim ficou até hoje. O ideal, todavia, seria dizermos pois não! ou sim!, num gesto não só de boa vontade, como também de educação e legítimo português.

Fonte: Não erre mais! - Luiz Antonio Sacconi

Como abreviar o pronome você?

Abrevia-se o pronome você da seguinte forma: v.


Conforme Sacconi, o pronome você provêm de Vossa Mercê, substituído por Vossemecê, depois por Vosmecê e por Vossancê, que nos deu inúmeras variantes populares (Mecê, Vancê e Vanssuncê) daí passou a você. Hoje, ouvimos muito "ocê"; há até os que limitam ao "cê". Conforme o autor, estamos a um passo de reduzir a expressão Vossa Mercê a letra "c" tão somente.


Hem! ou Hein!

Nossa língua admite duas grafias para esta interjeição: hem! (preferida) e hein!
Tome nota: é in

Fonte: Não erre mais! - Luiz Antonio Sacconicorreto escrever "heim!".

30 de julho de 2012

Inep lança manual para orientar candidatos a elaborar redação

Foi lançado hoje, 30 de agosto, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) uma ferramenta que norteará o estudante a se preparar para a prova dissertativa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 
O candidato encontrará redações com alto conceito, como também, suas formas de correção que lhe servirão de base para estudo. O manual é mais um facilitador para quem almeja destacar-se na etapa dissertativa do exame de ingresso à universidade.

Acesse o link abaixo e faça download do guia "Redação no Enem 2012 – Guia do Participante":


1 de julho de 2012

Etcétera

etc.

Abreviação da locução latina "et caetera", que significa e o mais, e outras coisas, e assim por diante.

20 de junho de 2012

Figuras de Linguagem



A linguagem poética explora o sentido conotativo das palavras, recriando, alterando e enfatizando o significado institucionalizado delas. Incidindo sobre a área da conotação, as figuras dividem-se em:
1) figuras de construção (ou de sintaxe) têm esse nome porque interferem na estrutura gramatical da frase;
2) figuras de palavras (ou tropos) constituem-se de figuras que adquirem novo significado num contexto específico;
3) figuras de pensamento, que realçam o significado das palavras ou expressões.

Figuras de Construção (ou sintaxe)
Elipse: omissão de um termo facilmente identificável. O principal efeito é a concisão:

"No fim da festa, garrafas e copos espalhados pelo chão."

Verifique que, nessa frase, houve a elipse do  verbo haver, que pode ser facilmente percebido pelo contexto: No fim da festa, havia garrafas e copos espalhados pelo chão.

Zeugma: é um tipo de elipse que consiste na omissão de uma ou mais palavras já mencionadas anteriormente.

"O dia estava frio; o vento, cortante."

Omitiu-se a forma verbal estava: O dia estava frio; o vento estava cortante.
A palavra omitida pode ser um verbo anteriormente citado, só que em outra flexão. Veja outro exemplo: 

"Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena"


No segundo verso, omitiu-se o verbo ser, mas sob a forma é (e a tua pele é morena).

Pleonasmo: repetição de um termo ou ideia. O efeito é o reforço da expressão.

"O acidente foi horrível e o homem viu tudo com seus próprios olhos."

É claro que alguém só pode ver com seus próprios olhos, mas essa expressão redundante ou repetitiva tem a função de destacar a expressão dessa ideia.

Outros exemplos:

"Rolou de escada abaixo."
"Resta-me a mim somente uma esperança."
Atenção!
Devem ser evitados os pleonasmos viciosos, que nada acrescentam à frase, tais como: subir para cima, sair para fora, descer para baixo, enfrentar de frente etc.

Polissíndeto: consiste na repetição de um conectivo, geralmente a conjunção e, sugerindo uma sequência rápida e, contínua de ações.

"E foge, e volta, e vacila e treme, e canta."
"Feliz, os torcedores do time campeão saíram às ruas, e cantaram, e dançaram, e festejaram até a noite chegar."


Assíndeto (ausência de conjunção): é a figura oposta ao polissíndeto.

"Não sopra o vento, não gemem as vagas, não murmuram os rios."

Iteração ou repetição: consiste na repetição de um termo. Difere do polissíndeto por ser a reiteração de qualquer palavra e não só da conjunção.

"O surdo pede que repitam, que repitam a última frase"
Cecília Meireles

Aliteração: consiste na repetição de um som consonantal para sugerir um objeto ou a ideia desse objeto.
Observe, nestes versos de Cruz e Souza, o efeito sonoro conseguido pelo poeta com a aliteração do fonema /v/ - nos três primeiros versos e do fonema /t/ no último verso:

"Ó vellho vento saudoso,
velho vento compassivo,
ó ser vulcânico e vivo
taciturno e tormentoso"

 
Onomatopeia: Consiste na imitação de um som.

"O tique-taque do relógio me deixava irritada."
" zunzum feito por parte da plateia incomodou o pianista."
"De repente - bum! - ouviu-se uma explosão no pátio."



Anacoluto: é a interrupção do esquema sintático inicial da oração, que termina por outro, diferente.

"Meu pai, não admito que falem dele."



Silepse: ocorre quando a concordância de gênero, número ou pessoa é feita com ideias ou termos subentendidos na frase. A silepse pode ser:

a) de gênero:

"O ministro se dirigiu ao rei e perguntou:
- Vossa Majestade está muito preocupado?"

Observe que o adjetivo está no masculino, concordando não com o pronome Vossa Majestade, que tem forma feminina, mas com a pessoa a que se refere esse pronome, que é um homem.

b) de número:

O povo lhe pediram que cedesse. (pediram não concorda com povo, mas com a ideia de coletivo, de plural presente em povo)

A turma ficou apavorada e fugiram. (o verbo na 3ª pessoa do plural, concordando não com a palavra turma, que está no singular, mas com  a ideia de plural que esse substantivo sugere).

c) de pessoa:

"Os brasileiros gostamos de futebol."
O sujeito brasileiros levaria normalmente o verbo para a 3ª pessoa do plural (eles); nessa frase, porém, a concordância foi feita com a 1ª pessoa do plural (nós), indicando que a pessoa que fala também se inclui entre os brasileiros.


Figuras de Palavras (ou tropos)

As figuras de palavras baseiam-se no emprego simbólico, figurado, de uma palavra por outra, quer por contiguidade (relação de proximidade), quer por similaridade (associação, comparação).

Metáfora: fundamenta-se numa relação subjetiva, ela consiste na transferência de um termo para outro âmbito de significação que não é o seu e para isso parte de uma associação afetiva, subjetiva entre dois universos. É uma espécie de comparação abreviada, à qual faltam elementos conectores (como, assim como, que nem, tal qual etc.)

"Meu verso é sangue." Manuel Bandeira
Observe que, ao associar verso a sangue, o poeta estabelece uma relação entre as duas palavras, vendo nelas alguns pontos em comum. Todos os significados sugeridos pela palavra sangue passam também para a palavra verso.
Repare que a associação de ideias contida numa metáfora é bem subjetiva, por isso, em certos casos, é muito fácil "explicar" o significado de uma metáfora. Podemos fazer algumas interpretações, mas sem a pretensão de querer exatamente o que ela significa.
Os poetas são mestres na criação de metáforas surpreendentes, ricas em significados e sugestões. Veja outro exemplo neste verso de castro Alves:

"O campo é o ninho do poeta..."

Costuma-se distinguir a metáfora pura da metáfora impura (símile), aquela em que os dois termos da comparação vêm expressos.

"A noite é um manto negro sobre o mundo." (noite e manto negro são os dois termos da comparação)

Metáfora impura é aquela em que não está presente em nenhum termo da comparação.

"O manto negro desceu sobre o mundo."

Esquematizando:
Essa mulher é perigosa tal qual uma cascavel = comparação
Essa mulher é uma cascavel = metáfora impura
Convivo com uma cascavel = metáfora pura.

Metonímia: consiste na substituição de um nome por outro porque entre eles existe alguma relação de proximidade. Essa relação de substituição surge quando se emprega:

a) a parte pelo todo (ou vice-versa):

Estava novamente sem teto (teto = casa).
b) o gênero pela espécie (ou vice-versa).
Os mortais são covardes (mortais = homens).
c) O singular pelo plural (ou vice-versa).
O francês gosta de um bom vinho (francês = franceses).
d) a matéria pelo objeto:
Colocou seus cristais à venda (cristais = copos ou objetos de cristais)

Obs.:  Os casos acima exemplificados são denominados por alguns autores como sinédoque. Modernamente a metonímia engloba a sinédoque.

e) o autor pela obra:
"Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu..." (Chico Buarque)
(Neruda = livro de poesias de Pablo Neruda)
f)  a causa pelo efeito (ou vice-versa):
"Comerás o pão com o suor de teu rosto." (suor = efeito da causa que é o trabalho, isto é, "Comerás a comida com fruto do teu trabalho"). Temos aqui, também a parte pelo todo: pão designa o alimento em geral.
g) o continente pelo conteúdo (ou vice-versa):
Tomou duas latas de cerveja (lata = a cerveja contida na lata).
h) o instrumento pela pessoa que o utiliza:
Ele é um bom garfo (garfo = glutão, guloso, homem que come muito).
i) o lugar pelo produto:
O presidenciável gosta de um bom havana (havana = charuto fabricado em Havana, capital de Cuba).
j) o concreto pelo abstrato (ou vice-versa):
A junvetude brasileira está desorientada (juventude = as pessoas jovens).
k) o sinal pela coisa significada:
O trono estava abalado (trono = império, reino)

Catacrese: ocorre quando transferimos a uma palavra o sentido próprio de outra. Se a metáfora surpreende pela originalidade na associação de ideias, o mesmo não acontece com a catacrese, que, por ser constantemente repetida, já não chama a nossa atenção. Exemplo:

"Ele embarcou no trem das onze."

Observe que o verbo embarcar pressupõe barco e não trem. Mas essa forma de dizer já está tão incorporada na língua que nem percebemos que se trata de linguagem figurada. O mesmo ocorre com expressões como perna de mesa, folha de papel, braço da cadeira, asa da xícara, coração da cidade, enterrar uma faca no peito etc.

Antonomásia: consiste na substituição de um nome por outro ou por uma expressão (perífrase) que facilmente o identifique.

A Cidade Maravilhosa, depois das chacinas e dos arrastões, já está sendo chamada de Cidade Perigosa. (Cidade Maravilhosa e Cidade Perigosa = Rio de janeiro)

Figuras de Pensamento

Antítese: é a figura que evidencia a oposição entre ideias.
"Fez-se do amigo próximo o distante." Vinicius de Moraes
"Morre! Tu viverás nas estradas que abriste!" Olavo Bilac

Hipérbole: ocorre hipérbole quando, para realçar uma ideia, exageramos na sua representação.

"Estou morrendo de sede! Vou beber alguma coisa."
"Chorou um rio de lágrimas."
"Toda vida se tece de mil mortes."
"Um oceano de cabeças ondulava à sua frente."

Eufemismo: consiste no abrandamento de expressões cruas e desagradáveis. Dito de outro modo, empregamos quando desejamos atenuar ou suavizar a expressão de uma ideia desagradável ou chocante.

"Foi cometido pelo mal de Hansen." (= contraiu lepra)
"O hábil político tomou emprestado dinheiro dos cofres públicos e esqueceu-se de devolver." (= o hábil político roubou dinheiro público)

Ironia: consiste em sugerir, pela entonação e contexto, o contrário do que as palavras ou as frases exprimem, por intenção sarcástica.

Que belo negócio! (= que péssimo negócio!)
O rapaz tem a sutileza de um elefante.

Personificação (prosopopeia): consiste em atribuir atitudes ou características humanas a coisas ou a seres irracionais. A personificação é muito usada nas fábulas, que apresentam animais comportando-se como seres humanos.

"O inútil choro das tristes águas
Enche de mágoas a solidão..." Vicente de Carvalho

"Viram um leão e um homem. No caminho, encontraram uma estátua de pedra que mostrava um homem estrangulando um leão. 
O homem disse ao leão:
- Vês como somos mais fortes que vocês?
E este, sorrindo, respondeu:
- Se os leões soubessem esculpir, verias o leão estrangulando o homem..." Fábulas de Esopo

Veja o vídeo e confira!
Referência bibliográfica: OLIVEIRA, Ana Tereza Pinto de. Minimanual compacto de redação e estilo: teoria e prática. - São Paulo: Rideel, 1999, p.167 a 175. TUFANO, Douglas. Gramática fundamental. - 1.ed. - São paulo: Moderna, 2007, p. 112 a 135.

18 de junho de 2012

Citação latina: Ego sum qui sum

Eu sou quem eu sou.

Estas foram as palavras de Deus a Moisés.



VICTORIA, Luiz. Dicionário da origem e da Evolução das palavras.2.ed. - Rio: Editora Científica, 1960, p. 205.

16 de junho de 2012

Noção de Texto

textum, -i, subs. n.I - Sentido próprio: 1) Tecido, pano (Ov. Met. 8, 640). Por extensão: 2) Obra formada de várias partes reunidas, contextura (Ver. En. 8, 625). II - Sent. figurado: 3) contextura (do estilo) Quint. 9, 4, 17).
Texto em português, assim como em latim, quer dizer tecido, entrelaçamento de fios. Neste sentido, produzir um texto é entrelaçar suas várias partes a fim de obter um todo encadeado logicamente, o que resulta numa rede de relações que garantem sua unidade e coesão. A essa rede de relações dá-se o nome de tessitura do texto.
Em suma:
a) o texto não é um aglomerado de frases;
b) o significado das frases de um texto nunca é autônomo.
A partir da segunda conclusão, deriva a noção de contexto: uma unidade linguística maior onde se encaixa uma unidade de linguística menor. daí a progressão:

frase »  parágrafo » capítulo » obra

Elementos Estruturais do Texto

Temos três elementos indispensáveis a qualquer tipo de texto: estrutura, conteúdo, expressão.

A estrutura abrange a unidade, organicidade e forma:

a) unidade: num texto deve-se desenvolver um único assunto ou núcleo temático;
b) organicidade : o texto coerente e coeso apresenta um inter-relacionamento de todas as suas partes, o que resulta num todo articulado;
c) a forma: o tipo de composição escolhido, segundo a sua finalidade: descrição (relatar algo), narração (contar uma história), dissertação (elaborar um raciocínio).

O conteúdo requer coerência e clareza.

a) coerência: é a seleção de ideias que devem ligar-se ao tema proposto (para que não fuja ao tema);
b) clareza: subordina-se ao tópico Vícios de linguagem. Deve-se evitar toda e qualquer construção ambígua ou mal estruturada, que dificulte o entendimento do texto.

Leia esta tira de Quino:

Isoladamente, cada um dos três primeiros quadrinhos não denota outra coisa senão pessoas rindo. É só no contexto inteiro, com a adição do quarto quadrinho, que eles ganham uma outra dimensão e significado.
A expressão está diretamente ligada ao domínio da estrutura da linguagem e do léxico. Estes dois últimos tópicos são resultado de um plano previamente elaborado e de uma revisão acurada do texto.

Tipos de composição

Descrição, narração, dissertação. Para efeito didático, essas são as formas de composição de um texto. Qualquer que seja, no entanto, o tipo de classificação, é importante lembrar que o texto deve constituir-se de três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. A introdução situa o leitor dentro do assunto que será desenvolvido. O desenvolvimento constitui o corpo do texto e a conclusão deriva naturalmente das duas partes anteriores, é o fecho do texto.

Bibliografia

OLIVEIRA, Ana Tereza Pinto de. Minimanual compacto de redação e estilo: teoria e prática. - São Paulo: Rideel, 1999, p.261-262.

10 de junho de 2012

Estrutura de trabalho escolar: passo-a-passo

Apresentação gráfica

Papel:
Branco/ formato A4

Digitação:
Cor preta

Fonte e tamanho da letra:
Elabore seu trabalho usando letras legíveis como Times New Roman, Arial, Book Antiqua, Courier New, Tahoma no Tamanho 12.

Recuo:
Primeira linha

Espaçamento:
Para melhor leitura do texto recomendo espaçamento 1,5; mas está adequado se optar por 1,15.

Margens:
Normal
superior - 2,5 cm inferior - 2,5 cm       esquerda - 3 cm direita - 3 cm

Parágrafo:
Os parágrafos deverão estar em formato JUSTIFICADO, pois promove ao texto uma aparência organizada.
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 Link para download do documento em formato Ms Word:
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SOBRECAPA
A sobrecapa deverá estar em formato CENTRALIZADO 
É a folha que cobre e protege a capa, podendo incluir as mesmas informações da capa.  
Imagem ilustrativa

CAPA 
 A capa deverá estar em formato CENTRALIZADO
A capa serve para reproduzir informações de seu trabalho como: nome da instituição de ensino, título e, se houver, subtítulo; nome de quem requeriu etc. 
Dica: Você pode colocar os dados da disciplina, professor... (3º enunciado abaixo) em uma tabela. Alinhe-a para obter o resultado desejado.
Obs.: Não esqueça de deixar a tabela sem borda.


Imagem ilustrativa

DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO
Desenvolvimento do trabalho ou pesquisa. Nessa etapa, você irá expor a pesquisa ou discutir o assunto abordado.
Lembre-se os parágrafos deverão estar em formato JUSTIFICADO, letras Times New Roman, Arial, Book Antiqua, Courier New, Tahoma no Tamanho 12. Espaçamento 1,5 e Recuo do paragráfrafo: 1 linha.
Imagem ilustrativa



CONCLUSÃO
É a parte que você concretiza seu trabalho, fica por sua conta sintetizar o conteúdo pesquisado. Deverá também colocar de modo explícito, com clareza e objetividade o que você compreendeu.
Imagem ilustrativa

BIBLIOGRAFIA
Parte que se destina à identificação das publicações inseridas no trabalho
Recomenda-se deixar as referências bibliográficas alinhadas somente à margem esquerda e com espaço simples entre linhas.
Imagem ilustrativa

Orientações básicas
Livro:
SOBRENOME, Nome. Título da Obra: subtítulo (se houver). 1. ed. Local: Editora, ano, p. x.
(se tiver colocado mais de uma página: p. xx- xx)
Filmes e documentário:
TÍTULO. Autor e indicação de responsabilidade relevantes (Diretor, Produtor, Realizador, Roteirista e outros). Coordenação (se houver). Local: Produtora e distribuidora, data. Descrição física com detalhes de unidades, duração em minutos, sonoro ou mudo, legendas ou de gravação. Série, se houver, notas especiais.
Revista:
TÍTULO DA REVISTA. Local: Editora, volume, número, mês e ano, p. xxx-xxx.

Para mais modelos, consulte os links:


PARECER DO PROFESSOR
O professor exporá sua opinião sobre seu trabalho e/ou justificará sua nota.

Imagem ilustrativa

FOLHA EM BRANCO
Serve para proteger a parte final de seu trabalho.


Imagem ilustrativa

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Observação: este esquema foi baseado em padrões acadêmicos, não significando que monografias devem ser formatadas desta forma. O meu objetivo foi mostrar um modelo aos estudantes para deixar seus trabalhos mais organizados, isto é, com uma estética aceitável. Recomendo consultar as normas da ABNT para sanar possíveis dúvidas.

Referência Bibliográfica:

RODRIGUES, André Figueiredo. Como elaborar monografias - São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005. 
__________ , Como elaborar referência bibliográfica. 5ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2004. 
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3 de junho de 2012

Gênero Textual: Propaganda

O discurso publicitário usa outdoors, televisão, rádio, jornal, revista, internet para vender seus produtos através de mensagens que procuram convencer para conseguir consumidores. É a propaganda, cujas mensagens geralmente são curtas, breves, diretas e positivas, com predomínio da forma imperativa (interlocução direta, com uso da terceira pessoa, vocativos, etc.), presente no slogan, um enunciado repetido a exaustão. Aliado a essa estratégia discursiva verbal, o texto publicitário compõe-se também de linguagem não verbal, em formato de suporte, as imagens, ilustrações e animações são de grande importância na construção de um discurso que explora os desejos de consumo da sociedade moderna. Quando veiculados em rádio, televisão, internet, também o som é de suma importância. É um gênero textual essencialmente multissemiótico, em que os argumentos de venda, embora pareçam lógicos, caracterizam-se por apelos totalmente emocionais e pelo uso de padrões sociais, estéticos, etc. 
COSTA, Sérgio Roberto. Dicionário de gêneros textuais. 2. ed. rev. ampl. - Belo Horizonte: Autêntica, 2009, p.171.

Veja a propaganda da TNT para promover seu novo canal em alta definição
Com esse vídeo, a emissora conseguiu entrar no ranking dos comerciais mais assistidos no mundo.

A trama é iniciada a partir do momento em que uma pessoa aperta um botão com a seguinte frase: "aperte para adicionar drama" . O enredo acontece na Flemish Square, em uma pequena cidade  da Bélgica.



Saiba mais por Ana Tereza 
A linguagem publicitária 
A função do texto publicitário é convencer seu público a comprar um produto ou, até mesmo, a modificar seu comportamento. Na mensagem publicitária ocorre a confluência de dois tipos de linguagem: a verbal e a não verbal que se mesclam, interagem-se e se completam.
Embora a propaganda se utilize de recursos estáticos, existe uma diferença fundamental entre a arte e ela. Os artistas ampliam o universo estático de seus receptores, suas produções pressupõem uma multiplicidade de leituras, pois os textos são polivalentes. Já o texto publicitário oferece ao consumidor um mundo fechado, levando-o a uma única atitude/leitura: consumir. O publicitário tem como meta a fórmula AIDA (atenção, interesse, desejo, ação): se seu anúncio conseguir levar o consumidor a esses estados de consciência, haverá concretização da venda. Mas como atingir esses estados? Através de um texto que não será fruto simplesmente da inspiração,mas, antes de tudo, de um detalhado estudo do mercado, do consumidor e dos produtos concorrentes.
Estrutura do texto publicitário
Hoje em dia é cada vez mais frequente a ocorrência de textos publicitários que se apoiam somente na imagem e, quando muito, têm com texto somente o slogan. Slogan é uma frase curta, concisa e eufônica (aqui entra a exploração sonora do significante com aliterações, assonâncias, paronomásias, etc.) que identifique o produto: Mil e uma utilidades (Bombril), por exemplo.
Mas normalmente o texto publicitário apresenta os seguintes componentes: 

1. Título: manifesta o reconhecimento de uma necessidade ou desejo do consumidor. Funções do título num anúncio publicitário. 
a) selecionar seu público: o título isola, numa grande massa de consumidores, aqueles que quer atingir: donas-de-casa, crianças, empresários, etc. 
b) provocar curiosidade: procura de fórmulas que rompam a apatia do consumidor e estimulem a prosseguir lendo o anúncio. 
c) informar: os títulos devem ser capazes de deter o consumidor e levá-lo à leitura do texto e devem também, relacionar a experiência do leitor com as vantagens oferecidas pelo produto anunciado.
 2. Corpo do texto: além de inspiração, talento literário e preocupação estética, o redator deve ter consciência clara dos objetivos do anúncio e dos recursos que tem à sua disposição, enquanto técnica. Devem orientar seu raciocínio estes princípios: 
a) o texto deve reconhecer um desejo ou uma necessidade do leitor
b) o texto deve conter a satisfação desse desejo ou necessidade;
c) o texto deve oferecer a comprovação de que essa satisfação será real
d) o texto deve justificar a ação que o leitor tomará (e todo texto publicitário, pelo seu caráter conotativo, espera que o leitor passe à ação). 
Fazem parte, portanto, do corpo do texto
*apresentação dos argumentos: como o produto anunciado pode satisfazer a necessidade ou desejo do consumidor. 
* comprovação e desenvolvimento dos argumentos: reforço da ideia através de provas ou maiores detalhes dos argumentos apresentados. É o momento de quebrar qualquer objeção ou resistência do consumidor. As formas mais comuns de comprovação são: especificação de qualidade, testemunhos, reputação do fabricante, reconhecimento oficial, desempenho do produto, opinião de especialistas, garantia, índice de vendas. 
Os requisitos do texto publicitário são os mesmos de qualquer texto em prosa ou poesia: clareza, concisão, precisão e vigor: 
* clareza: o texto deve exigir um esforço mínimo de leitura;
* concisão: o texto deve ser breve e denso; 
* precisão: deve dar-se preferência a elementos objetivos e concretos que conduzam à ação e evitar-se elementos vagos e generalizados;
*vigor: o texto deve comunicar-se com entusiasmo os benefícios e vantagens que o produto oferece.
Referência Bibliográfica: OLIVEIRA, Ana Tereza Pinto de. Minimanual compacto de redação e estilo: teoria e prática. - São Paulo: Rideel, 1999, p.309-312..

2 de junho de 2012

Intertextualidade

Intertextualidade

Alguns textos dialogam entre si, influenciando a linguagem um dos outros. A essa "conversa" entre textos dá-se o nome de INTERTEXTUALIDADE. Às vezes, o uso ou troca de ideias entre os textos visa a reforçar um pensamento, ampliar, parodiar, criticar, ou mesmo, opor-se a uma ideia anterior.

Leia os textos a seguir, e observe como alguns autores compõem sua mensagem a partir de textos elaborados por outros autores.

Dois Anjos. Raphael Sanzio.

TEXTO I
Poema de sete faces

"Quando eu nasci, um anjo torto
Desses que vivem na sombra
Disse: vai Carlos! Ser gauche na Vida."
[...]
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, in Algumas poesias. Rio de janeiro: Aguilar, 1964. (Fragmento)

TEXTO II
Até o fim

"Quando eu nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim."
[...]
CHICO BUARQUE. Letra e música. São Paulo: Cia. das Letras, 1989. (fragmento).

TEXTO III
Com licença poética

"Quando nasci um anjo esbelto,
Desses que tocam trombeta, anunciou: 
Vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher
Esta espécie ainda envergonhada."
[...]
ADÉLIA PRADO. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. (fragmento).

Você observou que, a partir do texto do poeta Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque e Adélia Prado estabeleceram uma intertextualidade, e assim criam novos textos que "dialogam" com o Poema de sete faces.
No texto de Drummond, um anjo torto parece amaldiçoar o destino do eu lírico: ele vai ser gauche, andar errado, ser torto como o próprio anjo. O anjo de Chico Buarque também decreta que o eu lírico será errado, mas o eu lírico brinca com o anjo. Chama-o de safado, de chato e afirma: vai até o fim. Chico Buarque parece mostrar que é possível ser gauche e estar de bem com a vida.
Em Adélia Prado, a intertextualidade está explícita logo no título: Com licença poética. O seu anjo é esbelto; não é torto, não é gauche. Exibe-se, toca trombeta e, no lugar de uma maldição, anuncia sua tarefa: "Vai carregar bandeira". O eu lírico contesta que ser coxo (gauche) possa ser considerado maldição para uma mulher. Assim, tanto Chico Buarque quanto Adélia Prado traçam novas possibilidades de destino para seu eu lírico.

Sarmento, Leila Lauar. Português: leitura, produção, gramática. - 2.ed. - São Paulo: Moderna, 2006, p. 270-271.

1 de junho de 2012

Ortografia: O uso da LETRA ‘H’




A letra H é uma letra que não representa fonema. Seu uso se limita aos dígrafos ch, lh e nh, a algumas interjeições (ah, hã, hem, hip, hui, hum, oh) e a palavras em que surge por razões etimológicas. Observe algumas palavras em que surge o H inicial:
hagiografia, haicai, hálito, halo, hangar, harmonia, harpa, haste, hediondo, hélice, Hélio, Heloísa, hemisfério, hemorragia, Henrique, herbívoro (mas erva) hérnia, herói, hesitar, hífen, hilaridade, hipismo, hipocondria, hipocrisia, hipótese, histeria, homenagem, hóquei, horror, Hortênsia, horta, horto (jardim), hostil, humor, húmus.
Em “Bahia”, o H sobrevive por tradição histórica. Observe que nos derivados o H não é usado: baiano, baianismo.

CURIOSIDADES
(Contexto histórico – BAHIA)

Em carta de 1504, relatando sua viagem de 1501, Américo Vespúcio noticia a descoberta da região, que recebe o nome de Baía de Todos os Santos, por possuir uma grande enseada e ter sido descoberta a 1º de Novembro de 1501, dia de Todos os Santos1. A forma de ortografar “o nome Bahia é escrita com H por mera tradição. Pois, o acadêmico Pedro Calmon propôs, na sessão da Academia Brasileira de Letras, a 5 de agosto de 1943, que esse topônimo fosse assim grafado, quando se referisse ao Estado. A proposta foi aprovada na sessão do mesmo mês e ano2.  
Conforme Nilce Sant´anna Martins em seu livro Introdução à Estilística,1997: “Os baianos não consentiram que o nome do seu Estado sofresse reforma ortográfica, o que seria uma quebra da tradição e, por isso, se fez a exceção, distinguindo-se o mero acidente geográfico baía do próprio Bahia”.


1 Enciclopédia Mirador Internacional. São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações, 1992.
2 SACCONI, Luiz Antonio. Não erre mais!--28ª ed. São Paulo: HARBRA, 2005.

30 de maio de 2012

Gênero textual: Conto

  Assim com a novela e o romance são do tipo narrativo, assim também o conto literário o é. Em contraste com o romance, que geralmente é mais longo, o conto é mais curto (short story, no inglês), isto é, de configuração material narrativa pouco extensa, historicamente verificável. Essa característica de síntese traz outras: número reduzido de personagens ou tipos; esquema temporal e ambiente econômico, muitas vezes, restrito; uma ou poucas ações, concentrando os eventos e não permitindo intrigas secundárias como no romance ou na novela, e uma unidade técnica e de tom (fracção dramática, sedutora, em que tempo e espaço e personagens se fundem, muitas vezes) que o romance não mantém.
A limitação de extensão e síntese do conto tem a ver com suas origens socioculturais e circunstâncias pragmáticas. Ele tem origem nos casos/ causos populares que, com sua função lúdica e moralizante, tanto seduziam  e seduzem o auditório presencial dos contadores de casos das comunidades. Associa-se ao desejo humano de compartilhar acontecimentos, sentimentos e ideias. Trata-se da atmosfera mágica do "Era uma vez...", presente nas narrativas ou relatos que deram origens às histórias de Mil e uma noites, por exemplo, a tantas fábulas, a tantos contos de fadas. Socioculturalmente, portanto, o conto literário tem sua origem na cultura oral, enquanto o romance é regido pela cultura escrita/leitura.


Conto Popular

Historicamente, os contos populares são herança de crenças e mitos primitivos que se adaptaram a novos contextos culturais. Como o caso/ causo e o conto literário, o conto popular também é  breve e curto, com número reduzido de personagens geralmente são anônimas e culturalmente prototípicas (rei, princesa, dragão, padre, moleiro...) Enunciativa, as fórmulas introdutórias do tipo "Em um reino muito distante...", de localização temporal indefinida, acabam dando ao conto um caráter de permanência temporal (passado e atual), além de colocá-lo no  mundo ficcional. Mas há outras características pragmáticas que o diferenciam do conto literário: origem: vêm das camadas hegemônicas, não letradas da população, como também o vêm os provérbios, as adivinhas, os jogos de palavras, as cantigas..., que fazem parte de uma literatura oral tradicional, não institucionalizada, transmitida de geração para geração; emissão/ produção: é feita por um tipo de sujeito coletivo, pois é a comunidade que legitima os discursos anônimos da tradição cultural de um povo, produzidos por intérpretes pontuais que, muitas vezes, inovam, atualizam esses discursos , conservando-lhes, contudo, a essência, enquanto no conto literário existe escritor/ autor, que é um sujeito que se pode identificar e nomear e tem controle relativo de sua produção; recepção: trata-se também de um interlocutor coletivo que limita as inovações individuais dos intérpretes tanto por intervenções ou comentários quanto por uma espécie de censura promovida por crenças, costumes e ética da comunidade em que circulam os contos; temática: é tão diversa que exige uma imensa tipologia de contos: contos maravilhosos ou de encantamento, da carochinha, de animais, de adivinhação, contos religiosos, contos etiológicos...; ingredientes: um dos principais ingredientes desses contos é a irracionalidade: a galinha dos ovos que bota ovos de ouro, a fada que transforma uma criada em princesa com um toque de sua vara, animais que falam, etc. 

COSTA, Sérgio Roberto. Dicionário de gêneros textuais. 2. ed. rev. ampl. - Belo Horizonte: Autêntica, 2009, p. 74-75-76.

 Confira mais de 60 contos ilustrados de autores consagrados escritos para crianças, jovens e adultos e publicados na revista NOVA ESCOLA.
Link: http://revistaescola.abril.com.br/leitura-literaria/era-uma-vez-contos.shtml?page=0

A estrutura do enredo
  •  Introdução (ou apresentação): geralmente coincide com o começo da história; é o momento em que o narrador apresenta os fatos iniciais, as personagens e, às vezes, o tempo e o espaço.
  • Complicação (ou desenvolvimento): é a parte do enredo em que é desenvolvido o conflito.
  • Clímax: é o momento culminante da história, ou seja, aquele de maior tensão, no qual o conflito atinge o seu ponto máximo.
  • Desfecho (ou conclusão): é a solução do conflito, que pode ser surpreendente, trágica, cômica, etc., e corresponde ao final da história.