12 de abril de 2014

Recursos textuais das histórias em quadrinhos

   As histórias em quadrinhos, como se sabe, utilizam tanto desenhos quanto textos. Esses aparecem nessas situações básicas:
  • nos diálogos e pensamentos;
  • nas legendas ou letreiros onde o narrador se expressa;
  • nas onomatopeias, palavras empregadas para representar os sons.
  • nas interjeições, palavras ou expressões que traduzem sentimentos ou emoções.
Os balões

São elementos criados para conter as falas dos personagens. O próprio balão já tem um significado, sugerido pelos formatos que assume:

balão fala, de formato arredondado e em linha contínua, possui um rabicho que aponta para o personagem que fala.

Balão pensamento, o rabicho tem a forma de pequenas bolhas.
         
Quando vários personagens falam ou pensam a mesma coisa, o balão tem mais de um rabicho e se chama balão uníssono.

Quando o personagem segreda ou sussurra algo, o balão cochilo ou sussurro é feito de linhas pontilhadas ou interrompidas.

O balão grito tem contorno irregular ou tremido, da mesma forma que os balões que transmitem sons de aparelhos sonoros, telefones ou ruídos fortes.


Os balões também podem vir emendados, com ou sem rabicho: são os balões encadeados ou duplos, utilizados para indicar que um único personagem diz ou pensa coisas em sequência mantendo uma pausa entre uma e outra fala ou pensamento.
    
Além dos recursos vistos, outros podem ser utilizados, dependendo apenas da criatividade do desenhista e daquilo que deseja exprimir.
Embora a localização dos balões no quadrinho não obedeça a regras fixas, deve sempre permitir a leitura fácil, a compreensão do conteúdo e da sequência do texto, assim como deixar claro a qual personagem se refere.
Quanto ao conteúdo, isto é, ao texto dos balões, eles podem trazer palavras, sinais, desenhos ou símbolos gráficos, como pontos de exclamação ou interrogação. Às vezes, o quadrinista utiliza um desenho para representar um pensamento ou sonho. E, às vezes, uma série de símbolos estranhos sugere um palavrão ou xingamento.
Costuma-se escrever nos balões utilizando letra de forma maiúscula e feita à mão. O tamanho e o traçado das letras podem exprimir susto, medo, dor, frio, elevação do tom de voz etc.

Balão de pensamento com desenho

Balão com desenho, exprimindo xingamento

Balão com música

Balão com sinais gráficos

As legendas ou letreiros 

          Podem informar ou descrever algo, tal como o narrador faz nos demais textos narrativos. São comumente empregados no início da história, como introdução, ou no decorrer desta, ligando um quadrinho a outro. 
      Podem ter formas variadas, mas é mais comum apresentarem-se dentro de um quadro ou retângulo, com o texto escrito em letras de imprensa comum:


Onomatopeias

São utilizadas para transmitir um determinado sons ou ruídos produzidos por sinos, campainhas, instrumentos musicais, armas de fogo, vozes de animais, movimentos, etc. Por estarem relacionadas a uma figura ou situação, facilitam sua interpretação.

 

As interjeições

Além das onomatopeias, os quadrinhos apresentam muitas palavras e expressões que traduzem emoções, sentimentos, estados emocionais, etc. das personagens. Essas palavras são chamadas de interjeições. As interjeições costumam vir acompanhadas do ponto de exclamação. A palavra TÂNQUIS! (originada de thank you, do inglês), por exemplo, traduz agradecimento.

Os personagens

      Geralmente, as HQs apresentam um ou mais personagens principais (heróis) e personagens coadjuvantes (secundários), que revelam traços característicos, através dos quais o autor procura diferenciar, por exemplo, o herói do vilão, a heroína da megera. O traço e as feições utilizados pelo desenhista criam o que chamamos de "tipo".
       Chico bento e Zé Lelé revelam, através do modo de se vestir e de falar, que são personagens típicos de regiões do interior; suas aventuras acontecem quase sempre num ambiente rural. 


Expressões dos personagens

Através das expressões dos personagens, podemos inferir dados da história qua não aparecem no texto escrito, tais como sentimentos e sensações.

DECEPÇÃO

 DESCONFIANÇA


DESDÉM/DESPREZO 

DESESPERO
 ESFORÇO
 FELICIDADE

FOME/APETITE
 MALÍCIA
 MEDO
  TRISTEZA


 SURPRESA

ZANGA

TERNURA

SATISFAÇÃO

Fonte: 

Ensinar e Aprender, volume 3. - Ficha individual 9, 10 e D. Material elaborado pelo Cenpec e concedido pela SEEP à SEESP, para impressão e distribuição.

Como produzir um fanzine

O ilustrador Laerte mostra etapas da produção de uma revista artesanal, veja:




Para saber mais! (Como é produzida profissionalmente uma história em quadrinhos)


Fonte: Ensinar e Aprender, volume 3. - Ficha individual E. Material elaborado pelo Cenpec e concedido pela SEEP à SEESP, para impressão e distribuição.

Organização e recursos visuais das HQs

Os quadrinhos

São os elementos mais marcantes das HQs, daí seu nome. Através de uma sequência de dois ou mais quadrinhos, o autor transmite a ação da história. Em geral, têm formato retangular, delimitado por linhas retas, mas às vezes não apresentam essa delimitação, sugerindo a integração ou simultaneidade de ações.


 A imagem

É o desenho colocado no interior do quadrinho: o cenário, os personagens, os balões e/ou letreiros.


O enquadramento

O quadrinista, tal qual um cineasta ou cameraman, pode nos aproximar ou distanciar da cena focalizada. Para isso, ele representa os personagens de corpo inteiro ou focalizando apenas partes de seus corpos.

Quando o quadrinho traz o personagem de corpo inteiro dentro de um cenário, temos um plano geral


 
Se um personagem é visto por inteiro, mas sem a preocupação de mostrar o cenário, tem-se um plano total








O primeiro plano mostra o personagem dos ombros para cima: 









 O plano médio apresenta-o da cintura para cima e o plano americano, a partir dos joelhos:











Se apenas um detalhe é focalizado, tem-se o plano detalhe:


O desenhista também pode mostrar a cena através de ângulos de visão diferentes:

Ângulo frontal

Ângulo plongé superior


Ângulo plongé inferior



Fonte: Ensinar e Aprender, volume 3. - Ficha individual 8. Material elaborado pelo Cenpec e concedido pela SEEP à SEESP, para impressão e distribuição.

8 de novembro de 2013

Sim, Vossa Mercê era uma forma de tratamento. Confira a história!


Segundo o livro "O português da gente: a língua que estudamos a língua que falamos", de Rodolfo Ilari e Renato Basso, entre os séculos XVI e XVII, a forma "você" cumpriu uma das principais etapas do processo pelo qual passou de expressão de tratamento a pronome. Atualmente, usamos  com maior frequência a palavra "você" quando nos referimos a segunda pessoa do discurso, há neste caso, uma relação que requer certa intimidade com o interlocutor, seja pelo contexto, afetividade ou intenção comunicativa. Ao contrário, empregamos outros pronomes.
Ilari e Basso nos apresentam uma visão bastante peculiar da origem deste vocábulo, eles relatam que este teve origem da expressão de tratamento "Vossa Mercê", a qual era empregada exclusivamente ao rei no período que equivale ao século XIV. Da metade do século XV em diante, a expressão desaparece progressivamente nessa função e torna-se corrente entre os fidalgos, pessoas nobres daquela época. No século XVI, já reduzida a "você", cai  na boca do povo, fixando-se como pronome.
E quem pensava que a história havia chegado ao final está enganado, pois, mesmo chegando à forma de tratamento como a conhecemos, há mudanças em sua forma que vale a pena ressaltar. Temos a utilização da palavra como “ocê”, que é caracterizada de um falar próprio de pessoas de determinadas regiões do Brasil, no caso o caipira. Tem-se também “cê”, que é usada na oralidade, e, por fim, “vc”. Este é aplicado na escrita por usuários da linguagem eletrônica, internetês, termo utilizado modernamente.
Essas últimas formas acima descritas são julgadas pelos gramáticos como elementos fora da língua padrão do português brasileiro. Sendo usadas em determinados contextos e apresentadas aos alunos para que possam identificá-las, analisá-las e aplicá-las conforme sua intenção comunicativa, o que se denomina modernamente de competência linguística.

Veja o que o livro didático de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães diz em relação ao tema:

Imagem retirada do livro: Português Linguagens-6ano, p. 191.

12 de junho de 2013

Persuasão



Persuasão é a arte de conseguir influenciar as pessoas com ideias, tornando-as adeptas de seus conceitos. Por isso, é essencial escolher uma linguagem adequada à comunicação, de acordo com o público-alvo.
É preciso empregar recursos expressivos da linguagem persuasiva, presentes em determinados gêneros textuais, como o anúncio publicitário, o manual de instruções, a receita culinária, os regulamentos, as regras de jogo, entre outros.
Os textos que se utilizam da persuasão têm como principal objetivo convencer o leitor a fazer (ou deixar de fazer algo). O anuncio publicitário, por exemplo, para alcançar tal objetivo, concentra-se no interlocutor, apelando para sua sensibilidade ou suas emoções. Neste caso é frequente o uso do verbo no modo imperativo, que exprime ordem, pedido, conselho ou incitação.
Quando o enunciado visa o interlocutor, tentando influenciar seu comportamento, como ocorre no anúncio, é empregada a função apelativa da linguagem.  
Os elementos persuasivos estão lidados a três linguagens: visual, sonora e escrita. Elas possibilitam a combinação de códigos diversos e servem para prender a atenção do público-alvo.
Por fim, a persuasão é tomada como instrumento de poder quando é capaz de atingir seu objetivo, ou seja, quando se emprega uma estratégia argumentativa de forma eficaz, a que garante o condicionamento do indivíduo seja sob a forma consciente, com argumentos válidos e aceitos por ter utilizado uma lógica ou inconsciente, quando é tomada pela sensibilidade e emoção.

18 de maio de 2013

Exemplo de texto dissertativo



Terra: o planeta da vida



Até o momento, não se conhece nenhum outro lugar no Universo, alem da Terra, que reúna condições para a existência de vida. As atividades humanas no nosso planeta, porém, têm reduzido cada vez mais essas condições.

O crescimento constante da população e o consequente aumento do consumo vêm causando a destruição progressiva dos recursos disponíveis e modificando rapidamente o ambiente.

A maioria dos seres vivos só se utiliza daquilo que realmente precisa para subsistir. O homem não, pois com seus instrumentos e máquinas é capaz de multiplicar infinitamente o trabalho que seria feito por um só indivíduo. Assim, ele se apropria intensiva e rapidamente dos recursos e rompe o equilíbrio frágil e expressamente complexo da natureza. Desse modo, prejudica os demais seres vivos, ocasionando, muitas vezes, sua total destruição.

O número de habitantes do planeta, porém, cresce sem parar, e muitas áreas produtivas da Terra já foram, e continuam sendo, ocupadas sem planejamento e exploradas de modo inadequado. Se continuarmos a agir assim, esgotando os recursos da natureza, em pouco tempo só restarão na Terra ambientes impróprios para a vida e sem possibilidades de recuperação.

Mas é preciso uma espécie como a nossa, capaz de realizações magníficas no campo das artes, das ciências e da filosofia, deverá saber organizar-se e encontrar as soluções adequadas para garantir sua permanência na Terra.


MATTOS, Neide Simões de et al. Nós e o ambiente. São Paulo: Scipione, 1990. p. 8-9. (universo da Ciência

Esquematizando:

Introdução:
Temos no primeiro parágrafo a introdução ao tema, ou seja, que apresenta o assunto a ser abordado e defendido no decorrer do texto. Manifesta-se desde o introdutório a opinião da articulista sobre o tema: "As atividades humanas no nosso planeta, porém, têm reduzido cada vez mais essas condições." Esse ponto de vista, que será defendido, denomina-se tese.

Desenvolvimento:
O desenvolvimento corresponde aos parágrafos   2, 3 e 4, nos quais se apresentam argumentos que sustentam a tese. Note que a cada parágrafo corresponde a um argumento. No segundo, o argumento é o crescimento constante da população e o aumento  do consumo causam a destruição de recursos disponíveis e modificam o ambiente. No terceiro, o argumento utilizado é que a espécie humana, ao contrário da maioria dos seres vivos, rompe o equilíbrio ambiental, prejudicando os demais seres. No quarto, temos o seguinte argumento: com o número de habitantes cresce sem parar e a exploração de muitas áreas produtivas é feita de modo inadequado, se os seres humanos continuarem a agir dessa forma, os ambientes irão se tornar impróprios para a vida e sem possibilidade de recuperação.

Conclusão:
 A conclusão corresponde ao quinto parágrafo, em que se apresenta uma mensagem otimista, afirmando-se que, apesar de tudo, a espécie humana saberá encontrar as soluções para garantir a sua permanência na Terra.

Bibliografia:
TERRA, Ernani. Projeto radix: português, 9. ano/ Ernani Terra, Floriana Toscano Cavallete. - São Paulo: Scipione, 2009. p. 25 e 36.