4 de agosto de 2012

Textos de apoio: 3ª edição do concurso cultural: Olimpíada de Língua Portuguesa

Do que trata?

     A Olimpíada de Portuguesa Escrevendo o Futuro é uma iniciativa do Ministério da Educação e da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação (Cenpec).

     A olimpíada realiza ações de formação de professores e promove um concurso bienal de produção de textos para alunos de escolas públicas de todo o país.

Quem pode participar?

Professores da rede pública e seus alunos do 5ª ano do ensino fundamental até o 3ª ano do ensino médio.

Nesta olimpíada todos ganham!

Valorizando a interação das crianças e jovens com seu meio, a olimpíada adota o tema “O lugar onde vivo”. O aluno resgata histórias, estreita vínculos com a comunidade e aprofunda o conhecimento sobre a realidade, o que contribui para o desenvolvimento de sua cidadania.


Quais são os gêneros textuais que deverão ser desenvolvidos? Como será o agrupamento?




Gênero textual: Memórias

Conta a mitologia grega que a deusa da memória, Mnemosyne, protetora das artes e da história e da poesia narrativa épica, tornava imortal o humano que tivesse registrado em alguma obra um herói e seus feitos. Assim também hoje esse caráter reatualizativo do passado ganha imortalidade quando se resgata um momento passado, esquecido em algum canto da memória, tornando-o eterno. O gênero memórias faz exatamente isso: resgata o passado social existente em cada indivíduo, geralmente mais velho, que vai relatar suas lembranças, numa entrevista oral, ao escritor de um texto narrativo de memórias, que deve a primeira pessoa, assumir a voz do entrevistado. O texto de memórias se caracteriza por ter um estilo referencial em que o passado se presentifica em objetos, coisas, lembranças... e se concretiza em expressões como "naquele tempo", "antigamente", verbos narrativos no passado, palavras "antigas" que devem ser explicadas, etc.

COSTA, Sérgio Roberto. Dicionário de gêneros textuais. 2. ed. rev. ampl. - Belo Horizonte: Autêntica, 2009, p.148.



Palavras de um especialista por Elizabeth Marcuschi

Como escrever as memórias do outro, revelando toda sua singularidade
Palavras de um especialista por Ana Lima
Recordar para contar
Etimologicamente, “recordar” vem de “re” + “cordis”, significando, literalmente, “trazer de novo ao coração algo que, devido à ação do tempo, tenha ficado esquecido em algum lugar da memória”. Podemos dizer que, em linhas gerais, é exatamente essa a função de um texto do gênero memórias literárias.         Alguém que almeje escrever um texto de memórias literárias tem uma árdua tarefa pela frente: identificar pessoa (as) que possa (m) realmente contribuir para a elaboração do texto, com suas lembranças. Realizar uma entrevista com essa (s) pessoa (s); selecionar e organizar as informações relevantes coletadas; e, finalmente, escrever o texto.         Não podemos esquecer que a entrevista é um gênero da modalidade oral, e, se foi gravada, certamente apresentará várias marcas dessa oralidade. O escritor de memórias deve estar ciente disso e seu trabalho será transformar aquele texto oral em escrito. Além disso, precisa atender a algumas características específicas desse gênero. O escritor, por exemplo, deve assumir a voz da pessoa entrevistada, ou seja, o texto deve ser em primeira pessoa.       Não se trata de um simples reconto do que ouviu na entrevista, e sim de uma reinterpretação, que deve resultar em um texto de natureza literária, narrativo em sua maior parte. Em nenhum momento se pode perder de vista que há um leitor curioso para conhecer o passado, de modo que o texto deve ser escrito com criatividade, de tal maneira que esse leitor sinta-se envolvido por ele.
   Alguns elementos normalmente presentes nos textos de memórias literárias são as comparações entre o passado e presente, a presença de palavras e expressões que transportam o leitor para uma certa época do passado (“antigamente”, “naquele tempo” etc.), referência a objetos, lugares e modos de vida do passado, descrições de lugares ou pessoas e explicações de sentido de certas expressões antigas ou palavras em desuso.       Enfim, cabe ao escritor posicionar-se como um pesquisador que busca recuperar a memória coletiva de sua cidade e, por meio de seu texto, possibilitar que os leitores “tragam para o coração “um passado que, mesmo não tendo sido vivido por eles, foi decisivo para que sejam o que são atualmente.
Texto retirado da revista Na Ponta do Lápis – ano V – nº 11, p. 22-23. 
Escolha do tema  "O lugar onde vivo"
Vejamos agora um trecho do filme Narradores de Javé, para que ele possa contribuir no entendimento do relato oral e nas séries de particularidades de transformação desse registro oral para o escrito. 
A escrita cumprindo seu papel de assinalar a preservação das ações humanas, isto é, dos costumes, crenças, da cultura como um todo, assim como o reconhecimento da identidade de um povo.
Sinopse: Narradores de Javé conta a história da pequena cidade de Javé, que será submersa pelas águas de uma represa. Seus moradores não serão indenizados e não foram sequer notificados porque não possuem registros nem documentos das terras. Inconformados, descobrem que o local poderia ser preservado se tivesse um patrimônio histórico de valor comprovado em documento científico. Decidem, então, escrever a história da cidade – mas poucos sabem ler e só um orador, o carteiro, sabe escrever.
Vídeo disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=rtgCcJYEdB0>
Conheça uma das finalistas da Olimpíada de Língua Portuguesa - 2008
 Faça parte desse processo de produção também. Desperte o potencial que está dentro de você!
Leia os textos dos finalistas da Olimpíada 2006- http://www.escrevendo.cenpec.org.br/images/stories/publico/material/2006textosalunos.pdf 2007 - http://www.escrevendo.cenpec.org.br/images/stories/textos/livro_memorias_finalistas_2008.pdf 2010- http://www.escrevendo.cenpec.org.br/images/stories/publico/noticias/20101201memorias.pdf

Instruções para desenvolver a redação do Concurso Cultural da Olimpíada de Língua Portuguesa

Foco: Memórias literárias

Passo-a-passo:
  • Conheça o tema.
  • Tenha noções do gênero solicitado. Como:
  1. Qual a função do gênero?
  2. Quais são suas características?
    • Realize a entrevista e organize as informações que achar mais interessantes e/ou apropriadas ao tema proposto.
      • Escreva o texto.
        • Revise-o, e, sempre que necessário: retire os excessos ou acrescente informações relevantes; verifique a concisão e coerência do texto e, claro, faça a correção ortográfica. 

          Conhecimentos que contribuirão na realização de sua redação:

          Figuras de linguagem: contribui no "floreamento" do texto.

          Descrição: auxilia a sua percepção - (partindo do princípio que é você quem assume a voz do entrevistado)  para retratar ao leitor o modo como percebe/vê as ações, ambientes, objetos, seres etc.

          Progressão temática: é o modo como você irá desencadear o tema inicial aos segmentos de seu texto, ou seja, a forma como você trabalhará o assunto nos parágrafos sem perder o fio da meada.
          Use para isso, por exemplo, palavras ou expressões apropriadas ao gênero; pronomes; emprego de palavras sinônimas, hiperônimas ou hipônimas; paráfrase; flexão verbal ... Estes contribuirão com a união, além de estabelecerem ganchos entre o que foi dito e que ainda vai se dizer.

          Pesquisar tudo que remeta ao passado:
          • palavras ou expressões antigas e que estão em desuso, ou seja, que não usamos mais em nosso dia a dia;
          • lazer;
          • educação;
          • costumes;
          • meios de transporte/ locomoção;
          • marcas de produtos;
          • vestimenta;
          • programas no rádio e TV;
          • política,
          • imagens antigas da cidade, bairro, rua ...
          Enfim, os dados coletados servirão para você remontar o passado, ou melhor, projetar na mente do leitor  as lembranças de um tempo que ficou para trás, e que de um modo ou de outro, carrega consigo uma carga emotiva para aqueles que presenciaram, como também, aos que estarão experimentando as sensações descritas por você pela primeira vez.

          Vocabulário: tenha sempre em mãos um dicionário.
           Sugestões de dicionários para consulta na web:
          -  http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digital - Dicionário de definição
          - http://www.dicionariodegirias.com.br/ - Dicionário de gírias
          http://www.dicionariodesimbolos.com.br/ - Dicionário de simbologia

          Se tiver dúvida quanto à conjugação verbal, tire-a aqui: http://www.conjuga-me.net/

          Dificuldade quanto às regras básicas da normatização da escrita e questões que envolvem estilo textual: http://www.estadao.com.br/manualredacao/ . Consulte o índice ou procure pela letra equivalente à dúvida. Ex.: "Passo a passo ou passo-a-passo?": para saber, clique na palavra "p" que aparece do lado esquerdo da tela de seu PC e verifique de acordo com a ordem alfabética. Realize a ação do mesmo modo que você faz para consultar no dicionário de mão.


          Critérios seguidos pelo professor e pela Comissão Julgadora Escolar na seleção do texto finalista:




          Fonte: http://escrevendo.cenpec.org.br/images/stories/publico/noticias/cje_folder.pdf

          Olimpíada de Língua Portuguesa: Texto de apoio para realizar uma entrevista

          REGISTRO DE HISTÓRIAS


              Cada um de nós carrega dentro de si lembranças e vivências de momentos marcantes, de experiências prazerosas ou difíceis, marcos de mudança e descobertas. E, cada experiência vivida, que nos parece tão particular, está repleta das memórias de grupos aos quais pertencemos, refletindo a história de um tempo, ou melhor, do nosso tempo. 
              Por isso, a história de vida de toda pessoa é valiosa e merece ser preservada e socializada. O registro da história é o primeiro passo para isso e pode ser feito em um depoimento escrito, em uma gravação de áudio ou vídeo, por meio de uma entrevista, ou ainda um relato coletivo produzido numa roda de histórias.
              Vamos aqui propor situações para que a memória de cada um possa emergir, ser registrada e compartilhada, pois registrar, difundir e articular as visões, práticas, sonhos é uma forma poderosa de construir fontes alternativas para a compreensão dos processos históricos.

          Entrevista

              "Entrevistar uma pessoa é ajudá-la a revelar sua história de vida como narrativa construída a partir de suas memórias, daquilo que viveu e conheceu. Por isso, a entrevista pressupõe a interação entre quem conta, o entrevistado e o entrevistador. Cabe ao entrevistador auxiliar o entrevistado a organizar as lembranças de sua vida em uma narrativa própria.
              Nesse caso, a entrevista é uma prática de interação entre dois lados: quem conta e quem pergunta/ouve. Ao contrário de um “interrogatório” ou “questionário”, o que se busca é criar um momento de troca e diálogo entre as duas partes, sendo que o assunto da conversa é a história de vida de uma delas.     Podemos dizer que a entrevista é um produto em co-autoria do entrevistado e do entrevistador.
          Busca-se transformar a entrevista num momento solene, até mesmo sublime, em que a pessoa possa se religar a sua memória e contar sua história, com ajuda de um entrevistador atento e respeitoso. É como puxar o fio da memória e deixar que a narrativa flua.
              Costumamos dizer que, para uma boa entrevista, pode bastar uma primeira pergunta. A partir de então, é saber ouvir uma história que muitas vezes está simplesmente guardada, pronta para ser contada. Cabe ao entrevistador auxiliar a pessoa a organizar as lembranças que vêm à tona em uma narrativa própria.
              Cada entrevistado não é entendido, portanto, como uma mera fonte de “informações” sobre o assunto, mas, sim, como uma pessoa que de alguma maneira vivenciou um pedaço daquela história. Neste sentido, sua narrativa de vida é, em si mesma, a principal fonte que se quer coletar.
              De fato, quando ouvimos uma história, estamos recebendo um presente delicado e profundo de alguém: sua história de vida. Cuidados especiais podem ser tomados para retribuir ao entrevistado seu presente: uma cópia de sua entrevista, um certificado, uma carta de agradecimento etc. Além do reconhecimento por sua participação, todos estes cuidados constituem estratégias para que o entrevistado se conscientize da importância de sua história e dos desdobramentos que ela pode ter ao ser integrada às histórias de sua comunidade e da sociedade como um todo.

          Alguns pontos sobre o papel e a postura do entrevistador:

              A entrevista pode ser realizada por duas pessoas: uma assume a interlocução direta com o entrevistado e a outra observa e, com uma visão do todo, percebe os “ganchos” perdidos e ajuda a complementar.
          Uma entrevista de história de vida dura, no mínimo, uma hora e meia, mas pode também ter mais horas de duração, em várias sessões.
              O entrevistado é o autor principal da narrativa. É ele quem deve determinar o ritmo, o estilo e o conteúdo da sua história. No entanto, o sucesso da entrevista depende muito do entrevistador. Cabe-lhe ajudar o entrevistado, fazendo perguntas, estimulando seu relato. É importante, portanto, se preparar para esse momento. A elaboração de um roteiro da entrevista ajuda bastante.
              O roteiro, porém é apenas um estímulo. É necessário estar totalmente disponível. Ser curioso, escutar com atenção. As melhores perguntas surgem da própria história que está sendo contada. Se o entrevistado falar sem perguntas, pode seguir sem interrupção, mesmo que pareça que ele esteja saindo fora do tema. Apenas interferimos quando for realmente necessário, seja para retomar o fio da meada, seja para ajudá-lo a seguir.
              O corpo, os olhos, os movimentos fazem parte do diálogo e influenciam a construção da narrativa. É necessário estar atento. Cuidado em não demonstrar impaciência, olhando o relógio.
              O entrevistador não discute opiniões ou cobra verdade e precisão histórica. O objetivo da entrevista é registrar a experiência pessoal que o entrevistado tem dos acontecimentos e não uma verdade absoluta. O papel do entrevistador é estimular e auxiliar o entrevistado na construção da história que ele quer contar. E certamente a emoção faz parte.

          Dicas para o registro da entrevista:

              Todo o material e equipamento necessário para a realização da entrevista deve ser ordenado e testado antes da entrevista.
              Vale a pena gravar um pequeno cabeçalho informando nome completo do entrevistado, entrevistadores, data e local do registro. Incorporada à gravação, essa claquete permite a identificação imediata dessa nova fonte histórica.
             Vários podem ser os ambientes para a realização da entrevista. Mas, preferencialmente, locais silenciosos, sem muitos estímulos presentes e os celulares devem ser desligados.
              É importante que a entrevista não seja interrompida pelos entrevistadores, pela equipe de gravação, ou por pessoas do entorno, mas avisar o entrevistado que, sempre que ele quiser, poderá ser feito um intervalo.

          Roteiro da entrevista:

              O roteiro é uma seqüência de perguntas elaboradas pelo entrevistador, que o ajuda a preparar-se para a entrevista. Não deve ser entendido como um questionário rígido, mas como um guia para “puxar o fio da memória” do entrevistado.
              O desafio é construir uma seqüência de perguntas que ajude a pessoa a encadear seus pensamentos e organizar a narrativa à sua maneira. O tipo e a ordem das perguntas - estejam ou não previstas no roteiro – tendem a definir o tipo de história que será contada.
              Deve-se priorizar a narrativa, as histórias, cuidando para o entrevistado não se perder em comentários e opiniões genéricas.

          Algumas dicas para construção do roteiro:

          1. Para começar - Iniciar com perguntas fáceis de responder, como nome, local e data de nascimento. Além de contextualizar a pessoa, essas perguntas têm a função de “esquentar” a entrevista. É como um começo delicado de um relacionamento, e nada como perguntas simples e objetivas para deixar o entrevistado à vontade e ajudá-lo a mergulhar em suas memórias.
          2. Encadeamento - A ordem cronológica costuma ser um bom fio condutor da conversa, mas não é o único. Vale observar se a comunidade ou grupo tem outra lógica de organização de suas histórias. Se for adotado o critério cronológico, o roteiro pode ser organizado em três grandes blocos de perguntas:
          • Introdução: origem da pessoa, pais, avós, infância.
          • Desenvolvimento: fases da sua trajetória, incluindo, se for o caso, o tema específico do projeto.
          • Finalização: conclusão da história, relação com o presente e o futuro. Número de perguntas: O roteiro não precisa ser extenso nem exaurir todos os temas, pois é apenas uma base para a entrevista. Um bom exercício é começar construindo 10 perguntas (três de início, quatro de desenvolvimento e três de finalização) e depois subdividir cada uma em sub-blocos temáticos.
          Perguntas que ajudam:

          • Descritivas - Recuperam detalhes envolventes. Exemplo: descreva como era a casa de sua infância.
          • De movimento - Ajudam a continuar sua história. Exemplo: o que você fez depois que saiu de casa?
          • Avaliativas - Provocam momentos de reflexão e avaliação. Exemplo: como foi chegar à cidade grande
          Perguntas que atrapalham:

          • Genéricas - Estimulam respostas genéricas (“boa” ou “muito difícil”), sem histórias. Exemplo: como foi sua infância?
          • Puramente informativas - Podem desconcertar o entrevistado e interromper sua narrativa. Exemplo: qual era o nome da praça? (Se importante, tal dado deve ser pesquisado antes ou depois da entrevista.)
          • Com pressupostos - Propiciam respostas meramente opinativas. Exemplo: o que você acha da situação atual do Brasil?
          • Com julgamento de valor - Atendem apenas a hipóteses e anseios do entrevistador. Exemplo: Você não acha que deveria ter feito algo?"


          MODELO: FICHA DE ENTREVISTA
          (Olimpíada de Língua Portuguesa)


          Aluno:
          Série: 
          Data: 
          Professor orientador:
          Entrevista
          Entrevistador: ­­­­
          Entrevistado: ­­­­­­­­­­­­­­­­
          Local: 
          Cidade:
          Estado:
          Data da entrevista:
          Dados do entrevistado:
          Nome completo: 
          Idade:
          Data de nascimento: 
          Sexo: ( ) masculino ( ) feminino
          Local de nascimento:­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­
          Estado de origem:
          Tema da entrevista: O Lugar onde vivo
          Objetivo: resgatar a história de vida do entrevistado, para a partir de então, produzir um texto do gênero memórias literárias.
          Tempo de duração: 

          Roteiro para entrevista:
          • Colete dados pessoais, assim como os descritos acima.
          1. Há quanto tempo mora no local/ cidade?
          2. Conte sobre sua trajetória de vida.
          3. Como era o bairro/ cidade que senhor ou senhora foi criado(a)?
          4. Qual foi o fato marcante do lugar onde sr.(a) morava?
          5. Relate para mim um fato feliz e um fato triste.
          6. Quais eram as brincadeiras?/ O que o sr.(a) fazia para se divertir?
          7. Como eram os costumes da época em que era mais jovem?
          8. Como era o modo de falar das pessoas?
          9. O sr.(a) tem alguma foto, registro documental (carta, cartão-postal...) ou objeto daquele tempo? [usar esse recurso para reconstruir a história durante o diálogo com o entrevistado, estimulando as suas recordações.]
          10. O que existia antigamente na época que era novo e hoje não existe mais?
          11. O que sr.(a) gostaria que continuasse do seu tempo de infância ou mocidade?
          12. Peça ao entrevistado que faça uma comparação entre sua infância/ juventude com os dias atuais.
          • Anexar uma foto da entrevista/ ou entrevistado (colocar legenda)

          Relato de experiência (do entrevistador/estudante)

          Redija seu texto com base nestas questões:

          • Foi fácil encontrar alguém para entrevistar? Quem era a pessoa?
          • O que aconteceu quando você chegou para a conversa?
          • Quais as perguntas e as respostas feitas durante a conversa? Cite a que mais te emocionou.
          • Qual a reação do entrevistado quando falou de suas lembranças? Demonstrou saudade, alegria, tristeza?
          • Como você fez para não esquecer o que o entrevistado disse? [Anotou no caderno, gravou em forma de vídeo ou de áudio? Pelo celular? Gravador de áudio ou câmera?]

          Veja uma entrevista feita por estudantes, assim como você:






          Marcadores temporais e espaciais






          Datas.

           Mas o que são datas? Datas são pontas de icebergs. O navegador que singra a imensidão do mar bendiz a presença dessas pontas emersas, sólidos geométricos, cubos e cilindros de gelo visíveis a olho nu e a grandes distâncias. Sem essas balizas naturais, que cintilam até sob a luz noturna das estrelas, como evitar que a nau se espedace de encontro às massas submersas que não se veem?” (Bosi, 1992)




                  Tempo e espaço têm função de situar o leitor, são elos representativos da memória, da história e do imaginário. No que se diz respeito ao tempo: situa o receptor do texto em um determinado momento ligado ao presente, passado ou futuro, e também, quando trata-se de espaço: em um lugar, direção, limite, distância, percurso, trajeto. Ambos relacionam entre si, pois todo ato comunicativo está situado no tempo e no espaço.
              Uma notícia de jornal ao apresentar a manchete com uma forma verbal no tempo presente, por exemplo, aproxima o leitor do fato acontecido porque traz a informação para um momento atual, tal qual quem o lê. Temos também os textos narrativos que priorizam fatos/ acontecimentos de tempos passados, reportando aquele que lê em um tempo que ficou para traz e que terá de ser reconstruído a partir de descrições diversas.
              Tudo que acontece no mundo físico está inserido no processo temporal e espacial, o que está fora dele transcende nossa razão. Neste caso, está ligado ao fantástico e ao imaginário, tratando-se de texto narrativo, por isso ganha formas atemporais, podendo haver "flash-back", ilogismo, elipses/lacunas, digressões e assim por diante.

          Marcadores temporais


          Tempo atual, presente: hoje, atualmente, agora, agora mesmo, já neste instante, o dia de hoje, modernamente, já, neste momento, recentemente, ultimamente, época atual, hoje em dia, nessa altura do campeonato...

          Tempo próximo: neste instante, logo mais, este ano, mais dia, menos dia...

          Passado: anteontem, ontem, tempos idos, outros tempos, outras eras, outrora, antigamente, naquele dia, na véspera, um dia depois de..., retrasado, retrospectivo, retroativo, pregresso ...

          Futuro: porvir, vindouro, daqui a dois anos, amanhã, futuramente, em breve, dentro em pouco, proximamente, iminente, prestes a, no dia seguinte, logo, posteridade, ao fim daquele dia...

          Tempo remoto: Há muitos séculos, e lá vai pedra, e lá vai fumaça, primitivo, no tempo das cavernas, secular, milenar, antiquíssimo, vetustos dias...

          Transcurso do tempo, ou extensão temporal, ou período: das 6 às 10 horas...

          Época indeterminada: algum dia, um dia, certa vez, era uma vez, um belo dia...

          Tempo cronológico exato: daqui duas horas, 2 de setembro, em 2000...

          Tempo cronológico definido: dias da semana: segunda-feira, terça-feira..., dos meses: janeiro, fevereiro..., horas: 1 hora, 12 horas, em um minuto..., diurno, vespertino, matutino, noturno, semanal, mensal, quinzenal, semestral, anual, dominical, sazão...

          Tempo cronológico indefinido: entre duas e três da manhã,

          Anterior: antes de, antes que, anteontem, no início...

          Tempo inicial: desde que, desde quando...

          Tempo em que termina a ação encerrada no passado e que se prolonga até o momento em que se fala: a primeira vez que, a última vez que...

          Progressão de tempo: à medida que, à proporção que...

          Tempo de uma ação realizada no passado e esperada no futuro/ que modifica o que está feito: da próxima vez que, doravante, de agora em diante, daqui para frente, retroativo...

          Antecipação: primeiro, antes, antes de, antecipadamente, prematuro, primogênito, prenúncio, véspera, precoce ...

          Posterior: depois, depois de, depois que, posteriormente, a seguir, em seguida, sucessivamente, por fim, mais tarde, ulterior, seguinte, no verão, no retorno de[da escola]; ...

          Tempo imediatamente posterior: logo que, mal, assim que, depois de alguns dias, desse dia em diante, a partir de amanhã ...

          Intervalo: meio tempo, ínterim, entre agora e depois, entre hoje e ontem, interstício, ínterim, pausa, trégua, meio tempo, intermitente, periodicamente, nos finais de semana...

          Simultâneo: sincrônico, quando, enquanto, durante, ao mesmo tempo, simultaneamente, coincidentemente, ao passo que, à medida que, paralelamente…

          Quase simultâneo: por pouco, por um triz ...

          Frequência: a cada dia, dia a dia, constantemente, habitualmente, costumeiramente, usualmente, corriqueiramente, repetidamente, tradicionalmente, novamente, com frequência, muitas vezes, sempre que, todas as vezes que, corriqueiro, habitual, usual, recorrente, todo dia, todos os dias ao amanhecer [anoitecer],  desde que o mundo é mundo, de geração em geração...

          Infrequência: raras vezes, raramente, raro, poucas vezes, nem sempre, ocasionalmente, esporadicamente, de quando em quando, de vez em quando, de tempos em tempos, às vezes, uma vez ou outra, vez por outra, eventualmente, anualmente, a cada três meses...

          Durativo: há quase dois anos, tem muito tempo, anos, bilênio, ciclo, década, estação, primavera, tempão, altas horas, dia-a-dia, horas e horas...

          Momento exato: em ponto, pontualmente, pontualidade britânica, preciso...

          Momento inexato: em cima da hora, tardio, foi mais ou menos nessa época que, algum tempo depois...

          Curta duração: transitório, passadiço, efêmero, ocaso, instantâneo, efêmero, fugaz, precário, momentâneo, provisório, interino, bocadinho, alvorada, crepúsculo, dia, entardecer, expediente, hora, lusco-fusco, matina, microssegundo, momento, solstício, véspera, cedinho, de dia, de um dia para outro, passageiro, num abrir e fechar os olhos, num átimo, num piscar de olhos, por enquanto, temporário, num passe de mágica, pôr-do-sol...

          Cessativo: termino, acabado, cessado, até que, por fim, fim, finalmente, último..

          Perpetuidade: eternidade, eterno, permanente, ininterrupto, constante, contínuo, duradouro, cíclico etc.

          Prorrogado: procrastinado, delongado, adiado ...

          Tempo psicológico (subjetivo): o tempo corria devagar; as horas passavam a perder de vista, naquela época; [os] anos se passaram; desde que o mundo é mundo; no meu tempo; com o rodar dos anos; no meu tempo de criança; se não me falha a memória, lá pelos idos de XXXX; faz muito tempo que; de lá pra cá; o tempo fluía como correnteza; o tempo passou...; o tempo passou depressa; lembro-me como se fosse hoje; se bem me lembro; mal o dia nascia; antes de o sol nascer; nas horas claras/escuras do dia; na hora de dormir; muito tempo se passou; quando o sol dava as caras; o tempo foi passando; com o passar dos anos; bons tempos aqueles em que; os dias vão se passando; na aurora do dia;  assim os dias foram passando; eram épocas difíceis; na minha juventude; já se passaram tantos anos; há muito tempo; naqueles idos; o presente e o passado se completam num vaivém como no remanso da maré [das ondas, das estações, das canoas]; o passado e o presente se fundem em um [...]; durante toda a minha juventude; ao aparecimento dos primeiros raios de sol; antes do raiar do sol; quando era noite de lua nova [cheia]; todo tempo do mundo; as marcas do tempo; sem perder tempo;  tudo começou há; mal via a hora de chegar; nos meus tempos de outrora, o sol começava a se pôr; os tempos que não voltam mais; lembro-me com saudade do tempo que...; faz tanto tempo!;  o tempo passou sem que eu percebesse;  à tardezinha...; passagem marcante em minha [infância, juventude, velhice, de rapazote...]; o tempo urge; o tempo não apaga; os dias se foram; as memórias iam correnteza abaixo; quando a noite principiava; nos velhos tempos; minhas lembranças voam e retornam ao passado; e assim o tempo foi passando; com o olhar fixo nas lembranças do passado; momentos a perder de vista; guardo vivas em minha memória lembranças de meu tempo de...; viajo a tempos remotos; dentro de pouco tempo; o tempo não tem dó da gente, ele se esvai; não me esqueço do dia em que [como posso esquecer do dia em que...?]; o tempo encarregou-se de...; os anos não trazem mais; anos mais tarde; tempos da meninice;  as lembranças passeiam por...; bem de tardinha; vi o tempo devorar os longos anos da minha vida; ao voltar no tempo...
           
          Fora do domínio do tempo: atemporal, acrônico, intemporal, anacrônico...

          Relacionados ao campo semântico do tempo: compassado, ritmado, fresco, depressa, vagaroso, decorrente...

          Marcadores espaciais


          sob a, abaixo de, acerca, a céu aberto, adonde, afora, à frente, aquém, por trás de, atrás, avante, adiante, cá, aqui, além, abaixo acolá, adiante, acima, embaixo, antes, depois, arrabalde, arredor, algures, em algum lugar, em alguma parte, alhures, em outro lugar, adjacência, boqueirão, biboca, cercania, imediação, vizinhança, além-mar, cafundó, cafundó-do-judas, circunscrição, confim, fronteira, raia, dianteiro, traseira, distante, habitat, limbo, local, localidade, logradouro, lonjura, lugarejo, ponto, povoado, quebrada, redondeza, rua, ruela, rumo, saída, entrada, setor, sítio, naquele pedaço de chão  etc.


          Referências:


          AZEREDO, José Carlos de. Fundamentos da gramática do português. 3.ed. - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. , 2004.
          BOSI, Alfredo (org.). Tempo e História. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
          MASSARANDUBA, Elisabeth de M.; CHINELLATO, Thaís Montenegro. Narração – Teoria e Textos: Professoras (Curso Objetivo). Disponível em: http://www.clickescolar.com.br/narracao-teoria-e-textos.htm. Acesso em: 20 de jun. de 2012.
          OLÍVIA, Madre; Fávero, Leonor Lopes; Silveira, Regina C. Pagliuchi. Uma Gramática de Texto - Orientações a professores de 1º grau . Rio de Janeiro: Editora Vozes1984.

          3 de agosto de 2012

          Curiosidade da Língua Portuguesa: a interjeição "alô!" vem do francês

          Assim que surgiu o telefone, o francês costumava atender assim: allons (= depressa, vamos logo!). A palavra pedia pressa, mas ela própria era demasiado longa, já que o som nasal a esticava demais. Passou-se, então, a dizer apenas alô! e assim ficou até hoje. O ideal, todavia, seria dizermos pois não! ou sim!, num gesto não só de boa vontade, como também de educação e legítimo português.

          Fonte: Não erre mais! - Luiz Antonio Sacconi

          Como abreviar o pronome você?

          Abrevia-se o pronome você da seguinte forma: v.


          Conforme Sacconi, o pronome você provêm de Vossa Mercê, substituído por Vossemecê, depois por Vosmecê e por Vossancê, que nos deu inúmeras variantes populares (Mecê, Vancê e Vanssuncê) daí passou a você. Hoje, ouvimos muito "ocê"; há até os que limitam ao "cê". Conforme o autor, estamos a um passo de reduzir a expressão Vossa Mercê a letra "c" tão somente.


          Hem! ou Hein!

          Nossa língua admite duas grafias para esta interjeição: hem! (preferida) e hein!
          Tome nota: é in

          Fonte: Não erre mais! - Luiz Antonio Sacconicorreto escrever "heim!".

          30 de julho de 2012

          Inep lança manual para orientar candidatos a elaborar redação

          Foi lançado hoje, 30 de agosto, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) uma ferramenta que norteará o estudante a se preparar para a prova dissertativa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 
          O candidato encontrará redações com alto conceito, como também, suas formas de correção que lhe servirão de base para estudo. O manual é mais um facilitador para quem almeja destacar-se na etapa dissertativa do exame de ingresso à universidade.

          Acesse o link abaixo e faça download do guia "Redação no Enem 2012 – Guia do Participante":


          1 de julho de 2012

          Etcétera

          etc.

          Abreviação da locução latina "et caetera", que significa e o mais, e outras coisas, e assim por diante.

          20 de junho de 2012

          Figuras de Linguagem



          A linguagem poética explora o sentido conotativo das palavras, recriando, alterando e enfatizando o significado institucionalizado delas. Incidindo sobre a área da conotação, as figuras dividem-se em:
          1) figuras de construção (ou de sintaxe) têm esse nome porque interferem na estrutura gramatical da frase;
          2) figuras de palavras (ou tropos) constituem-se de figuras que adquirem novo significado num contexto específico;
          3) figuras de pensamento, que realçam o significado das palavras ou expressões.

          Figuras de Construção (ou sintaxe)
          Elipse: omissão de um termo facilmente identificável. O principal efeito é a concisão:

          "No fim da festa, garrafas e copos espalhados pelo chão."

          Verifique que, nessa frase, houve a elipse do  verbo haver, que pode ser facilmente percebido pelo contexto: No fim da festa, havia garrafas e copos espalhados pelo chão.

          Zeugma: é um tipo de elipse que consiste na omissão de uma ou mais palavras já mencionadas anteriormente.

          "O dia estava frio; o vento, cortante."

          Omitiu-se a forma verbal estava: O dia estava frio; o vento estava cortante.
          A palavra omitida pode ser um verbo anteriormente citado, só que em outra flexão. Veja outro exemplo: 

          "Como teus olhos são claros
          e a tua pele, morena"


          No segundo verso, omitiu-se o verbo ser, mas sob a forma é (e a tua pele é morena).

          Pleonasmo: repetição de um termo ou ideia. O efeito é o reforço da expressão.

          "O acidente foi horrível e o homem viu tudo com seus próprios olhos."

          É claro que alguém só pode ver com seus próprios olhos, mas essa expressão redundante ou repetitiva tem a função de destacar a expressão dessa ideia.

          Outros exemplos:

          "Rolou de escada abaixo."
          "Resta-me a mim somente uma esperança."
          Atenção!
          Devem ser evitados os pleonasmos viciosos, que nada acrescentam à frase, tais como: subir para cima, sair para fora, descer para baixo, enfrentar de frente etc.

          Polissíndeto: consiste na repetição de um conectivo, geralmente a conjunção e, sugerindo uma sequência rápida e, contínua de ações.

          "E foge, e volta, e vacila e treme, e canta."
          "Feliz, os torcedores do time campeão saíram às ruas, e cantaram, e dançaram, e festejaram até a noite chegar."


          Assíndeto (ausência de conjunção): é a figura oposta ao polissíndeto.

          "Não sopra o vento, não gemem as vagas, não murmuram os rios."

          Iteração ou repetição: consiste na repetição de um termo. Difere do polissíndeto por ser a reiteração de qualquer palavra e não só da conjunção.

          "O surdo pede que repitam, que repitam a última frase"
          Cecília Meireles

          Aliteração: consiste na repetição de um som consonantal para sugerir um objeto ou a ideia desse objeto.
          Observe, nestes versos de Cruz e Souza, o efeito sonoro conseguido pelo poeta com a aliteração do fonema /v/ - nos três primeiros versos e do fonema /t/ no último verso:

          "Ó vellho vento saudoso,
          velho vento compassivo,
          ó ser vulcânico e vivo
          taciturno e tormentoso"

           
          Onomatopeia: Consiste na imitação de um som.

          "O tique-taque do relógio me deixava irritada."
          " zunzum feito por parte da plateia incomodou o pianista."
          "De repente - bum! - ouviu-se uma explosão no pátio."



          Anacoluto: é a interrupção do esquema sintático inicial da oração, que termina por outro, diferente.

          "Meu pai, não admito que falem dele."



          Silepse: ocorre quando a concordância de gênero, número ou pessoa é feita com ideias ou termos subentendidos na frase. A silepse pode ser:

          a) de gênero:

          "O ministro se dirigiu ao rei e perguntou:
          - Vossa Majestade está muito preocupado?"

          Observe que o adjetivo está no masculino, concordando não com o pronome Vossa Majestade, que tem forma feminina, mas com a pessoa a que se refere esse pronome, que é um homem.

          b) de número:

          O povo lhe pediram que cedesse. (pediram não concorda com povo, mas com a ideia de coletivo, de plural presente em povo)

          A turma ficou apavorada e fugiram. (o verbo na 3ª pessoa do plural, concordando não com a palavra turma, que está no singular, mas com  a ideia de plural que esse substantivo sugere).

          c) de pessoa:

          "Os brasileiros gostamos de futebol."
          O sujeito brasileiros levaria normalmente o verbo para a 3ª pessoa do plural (eles); nessa frase, porém, a concordância foi feita com a 1ª pessoa do plural (nós), indicando que a pessoa que fala também se inclui entre os brasileiros.


          Figuras de Palavras (ou tropos)

          As figuras de palavras baseiam-se no emprego simbólico, figurado, de uma palavra por outra, quer por contiguidade (relação de proximidade), quer por similaridade (associação, comparação).

          Metáfora: fundamenta-se numa relação subjetiva, ela consiste na transferência de um termo para outro âmbito de significação que não é o seu e para isso parte de uma associação afetiva, subjetiva entre dois universos. É uma espécie de comparação abreviada, à qual faltam elementos conectores (como, assim como, que nem, tal qual etc.)

          "Meu verso é sangue." Manuel Bandeira
          Observe que, ao associar verso a sangue, o poeta estabelece uma relação entre as duas palavras, vendo nelas alguns pontos em comum. Todos os significados sugeridos pela palavra sangue passam também para a palavra verso.
          Repare que a associação de ideias contida numa metáfora é bem subjetiva, por isso, em certos casos, é muito fácil "explicar" o significado de uma metáfora. Podemos fazer algumas interpretações, mas sem a pretensão de querer exatamente o que ela significa.
          Os poetas são mestres na criação de metáforas surpreendentes, ricas em significados e sugestões. Veja outro exemplo neste verso de castro Alves:

          "O campo é o ninho do poeta..."

          Costuma-se distinguir a metáfora pura da metáfora impura (símile), aquela em que os dois termos da comparação vêm expressos.

          "A noite é um manto negro sobre o mundo." (noite e manto negro são os dois termos da comparação)

          Metáfora impura é aquela em que não está presente em nenhum termo da comparação.

          "O manto negro desceu sobre o mundo."

          Esquematizando:
          Essa mulher é perigosa tal qual uma cascavel = comparação
          Essa mulher é uma cascavel = metáfora impura
          Convivo com uma cascavel = metáfora pura.

          Metonímia: consiste na substituição de um nome por outro porque entre eles existe alguma relação de proximidade. Essa relação de substituição surge quando se emprega:

          a) a parte pelo todo (ou vice-versa):

          Estava novamente sem teto (teto = casa).
          b) o gênero pela espécie (ou vice-versa).
          Os mortais são covardes (mortais = homens).
          c) O singular pelo plural (ou vice-versa).
          O francês gosta de um bom vinho (francês = franceses).
          d) a matéria pelo objeto:
          Colocou seus cristais à venda (cristais = copos ou objetos de cristais)

          Obs.:  Os casos acima exemplificados são denominados por alguns autores como sinédoque. Modernamente a metonímia engloba a sinédoque.

          e) o autor pela obra:
          "Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu..." (Chico Buarque)
          (Neruda = livro de poesias de Pablo Neruda)
          f)  a causa pelo efeito (ou vice-versa):
          "Comerás o pão com o suor de teu rosto." (suor = efeito da causa que é o trabalho, isto é, "Comerás a comida com fruto do teu trabalho"). Temos aqui, também a parte pelo todo: pão designa o alimento em geral.
          g) o continente pelo conteúdo (ou vice-versa):
          Tomou duas latas de cerveja (lata = a cerveja contida na lata).
          h) o instrumento pela pessoa que o utiliza:
          Ele é um bom garfo (garfo = glutão, guloso, homem que come muito).
          i) o lugar pelo produto:
          O presidenciável gosta de um bom havana (havana = charuto fabricado em Havana, capital de Cuba).
          j) o concreto pelo abstrato (ou vice-versa):
          A junvetude brasileira está desorientada (juventude = as pessoas jovens).
          k) o sinal pela coisa significada:
          O trono estava abalado (trono = império, reino)

          Catacrese: ocorre quando transferimos a uma palavra o sentido próprio de outra. Se a metáfora surpreende pela originalidade na associação de ideias, o mesmo não acontece com a catacrese, que, por ser constantemente repetida, já não chama a nossa atenção. Exemplo:

          "Ele embarcou no trem das onze."

          Observe que o verbo embarcar pressupõe barco e não trem. Mas essa forma de dizer já está tão incorporada na língua que nem percebemos que se trata de linguagem figurada. O mesmo ocorre com expressões como perna de mesa, folha de papel, braço da cadeira, asa da xícara, coração da cidade, enterrar uma faca no peito etc.

          Antonomásia: consiste na substituição de um nome por outro ou por uma expressão (perífrase) que facilmente o identifique.

          A Cidade Maravilhosa, depois das chacinas e dos arrastões, já está sendo chamada de Cidade Perigosa. (Cidade Maravilhosa e Cidade Perigosa = Rio de janeiro)

          Figuras de Pensamento

          Antítese: é a figura que evidencia a oposição entre ideias.
          "Fez-se do amigo próximo o distante." Vinicius de Moraes
          "Morre! Tu viverás nas estradas que abriste!" Olavo Bilac

          Hipérbole: ocorre hipérbole quando, para realçar uma ideia, exageramos na sua representação.

          "Estou morrendo de sede! Vou beber alguma coisa."
          "Chorou um rio de lágrimas."
          "Toda vida se tece de mil mortes."
          "Um oceano de cabeças ondulava à sua frente."

          Eufemismo: consiste no abrandamento de expressões cruas e desagradáveis. Dito de outro modo, empregamos quando desejamos atenuar ou suavizar a expressão de uma ideia desagradável ou chocante.

          "Foi cometido pelo mal de Hansen." (= contraiu lepra)
          "O hábil político tomou emprestado dinheiro dos cofres públicos e esqueceu-se de devolver." (= o hábil político roubou dinheiro público)

          Ironia: consiste em sugerir, pela entonação e contexto, o contrário do que as palavras ou as frases exprimem, por intenção sarcástica.

          Que belo negócio! (= que péssimo negócio!)
          O rapaz tem a sutileza de um elefante.

          Personificação (prosopopeia): consiste em atribuir atitudes ou características humanas a coisas ou a seres irracionais. A personificação é muito usada nas fábulas, que apresentam animais comportando-se como seres humanos.

          "O inútil choro das tristes águas
          Enche de mágoas a solidão..." Vicente de Carvalho

          "Viram um leão e um homem. No caminho, encontraram uma estátua de pedra que mostrava um homem estrangulando um leão. 
          O homem disse ao leão:
          - Vês como somos mais fortes que vocês?
          E este, sorrindo, respondeu:
          - Se os leões soubessem esculpir, verias o leão estrangulando o homem..." Fábulas de Esopo

          Veja o vídeo e confira!
          Referência bibliográfica: OLIVEIRA, Ana Tereza Pinto de. Minimanual compacto de redação e estilo: teoria e prática. - São Paulo: Rideel, 1999, p.167 a 175. TUFANO, Douglas. Gramática fundamental. - 1.ed. - São paulo: Moderna, 2007, p. 112 a 135.

          18 de junho de 2012

          Citação latina: Ego sum qui sum

          Eu sou quem eu sou.

          Estas foram as palavras de Deus a Moisés.



          VICTORIA, Luiz. Dicionário da origem e da Evolução das palavras.2.ed. - Rio: Editora Científica, 1960, p. 205.

          16 de junho de 2012

          Noção de Texto

          textum, -i, subs. n.I - Sentido próprio: 1) Tecido, pano (Ov. Met. 8, 640). Por extensão: 2) Obra formada de várias partes reunidas, contextura (Ver. En. 8, 625). II - Sent. figurado: 3) contextura (do estilo) Quint. 9, 4, 17).
          Texto em português, assim como em latim, quer dizer tecido, entrelaçamento de fios. Neste sentido, produzir um texto é entrelaçar suas várias partes a fim de obter um todo encadeado logicamente, o que resulta numa rede de relações que garantem sua unidade e coesão. A essa rede de relações dá-se o nome de tessitura do texto.
          Em suma:
          a) o texto não é um aglomerado de frases;
          b) o significado das frases de um texto nunca é autônomo.
          A partir da segunda conclusão, deriva a noção de contexto: uma unidade linguística maior onde se encaixa uma unidade de linguística menor. daí a progressão:

          frase »  parágrafo » capítulo » obra

          Elementos Estruturais do Texto

          Temos três elementos indispensáveis a qualquer tipo de texto: estrutura, conteúdo, expressão.

          A estrutura abrange a unidade, organicidade e forma:

          a) unidade: num texto deve-se desenvolver um único assunto ou núcleo temático;
          b) organicidade : o texto coerente e coeso apresenta um inter-relacionamento de todas as suas partes, o que resulta num todo articulado;
          c) a forma: o tipo de composição escolhido, segundo a sua finalidade: descrição (relatar algo), narração (contar uma história), dissertação (elaborar um raciocínio).

          O conteúdo requer coerência e clareza.

          a) coerência: é a seleção de ideias que devem ligar-se ao tema proposto (para que não fuja ao tema);
          b) clareza: subordina-se ao tópico Vícios de linguagem. Deve-se evitar toda e qualquer construção ambígua ou mal estruturada, que dificulte o entendimento do texto.

          Leia esta tira de Quino:

          Isoladamente, cada um dos três primeiros quadrinhos não denota outra coisa senão pessoas rindo. É só no contexto inteiro, com a adição do quarto quadrinho, que eles ganham uma outra dimensão e significado.
          A expressão está diretamente ligada ao domínio da estrutura da linguagem e do léxico. Estes dois últimos tópicos são resultado de um plano previamente elaborado e de uma revisão acurada do texto.

          Tipos de composição

          Descrição, narração, dissertação. Para efeito didático, essas são as formas de composição de um texto. Qualquer que seja, no entanto, o tipo de classificação, é importante lembrar que o texto deve constituir-se de três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. A introdução situa o leitor dentro do assunto que será desenvolvido. O desenvolvimento constitui o corpo do texto e a conclusão deriva naturalmente das duas partes anteriores, é o fecho do texto.

          Bibliografia

          OLIVEIRA, Ana Tereza Pinto de. Minimanual compacto de redação e estilo: teoria e prática. - São Paulo: Rideel, 1999, p.261-262.

          10 de junho de 2012

          Estrutura de trabalho escolar: passo-a-passo

          Apresentação gráfica

          Papel:
          Branco/ formato A4

          Digitação:
          Cor preta

          Fonte e tamanho da letra:
          Elabore seu trabalho usando letras legíveis como Times New Roman, Arial, Book Antiqua, Courier New, Tahoma no Tamanho 12.

          Recuo:
          Primeira linha

          Espaçamento:
          Para melhor leitura do texto recomendo espaçamento 1,5; mas está adequado se optar por 1,15.

          Margens:
          Normal
          superior - 2,5 cm inferior - 2,5 cm       esquerda - 3 cm direita - 3 cm

          Parágrafo:
          Os parágrafos deverão estar em formato JUSTIFICADO, pois promove ao texto uma aparência organizada.
           -----------------------------------------------------¯\_(ツ)_/¯-----------------------------------------------------------
           Link para download do documento em formato Ms Word:
           -------------------------------------------------------¯\_(ツ)_/¯--------------------------------------------------------

          SOBRECAPA
          A sobrecapa deverá estar em formato CENTRALIZADO 
          É a folha que cobre e protege a capa, podendo incluir as mesmas informações da capa.  
          Imagem ilustrativa

          CAPA 
           A capa deverá estar em formato CENTRALIZADO
          A capa serve para reproduzir informações de seu trabalho como: nome da instituição de ensino, título e, se houver, subtítulo; nome de quem requeriu etc. 
          Dica: Você pode colocar os dados da disciplina, professor... (3º enunciado abaixo) em uma tabela. Alinhe-a para obter o resultado desejado.
          Obs.: Não esqueça de deixar a tabela sem borda.


          Imagem ilustrativa

          DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO
          Desenvolvimento do trabalho ou pesquisa. Nessa etapa, você irá expor a pesquisa ou discutir o assunto abordado.
          Lembre-se os parágrafos deverão estar em formato JUSTIFICADO, letras Times New Roman, Arial, Book Antiqua, Courier New, Tahoma no Tamanho 12. Espaçamento 1,5 e Recuo do paragráfrafo: 1 linha.
          Imagem ilustrativa



          CONCLUSÃO
          É a parte que você concretiza seu trabalho, fica por sua conta sintetizar o conteúdo pesquisado. Deverá também colocar de modo explícito, com clareza e objetividade o que você compreendeu.
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          BIBLIOGRAFIA
          Parte que se destina à identificação das publicações inseridas no trabalho
          Recomenda-se deixar as referências bibliográficas alinhadas somente à margem esquerda e com espaço simples entre linhas.
          Imagem ilustrativa

          Orientações básicas
          Livro:
          SOBRENOME, Nome. Título da Obra: subtítulo (se houver). 1. ed. Local: Editora, ano, p. x.
          (se tiver colocado mais de uma página: p. xx- xx)
          Filmes e documentário:
          TÍTULO. Autor e indicação de responsabilidade relevantes (Diretor, Produtor, Realizador, Roteirista e outros). Coordenação (se houver). Local: Produtora e distribuidora, data. Descrição física com detalhes de unidades, duração em minutos, sonoro ou mudo, legendas ou de gravação. Série, se houver, notas especiais.
          Revista:
          TÍTULO DA REVISTA. Local: Editora, volume, número, mês e ano, p. xxx-xxx.

          Para mais modelos, consulte os links:


          PARECER DO PROFESSOR
          O professor exporá sua opinião sobre seu trabalho e/ou justificará sua nota.

          Imagem ilustrativa

          FOLHA EM BRANCO
          Serve para proteger a parte final de seu trabalho.


          Imagem ilustrativa

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          Observação: este esquema foi baseado em padrões acadêmicos, não significando que monografias devem ser formatadas desta forma. O meu objetivo foi mostrar um modelo aos estudantes para deixar seus trabalhos mais organizados, isto é, com uma estética aceitável. Recomendo consultar as normas da ABNT para sanar possíveis dúvidas.

          Referência Bibliográfica:

          RODRIGUES, André Figueiredo. Como elaborar monografias - São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005. 
          __________ , Como elaborar referência bibliográfica. 5ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2004. 
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