4 de agosto de 2012

Textos de apoio: 3ª edição do concurso cultural: Olimpíada de Língua Portuguesa

Do que trata?

     A Olimpíada de Portuguesa Escrevendo o Futuro é uma iniciativa do Ministério da Educação e da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação (Cenpec).

     A olimpíada realiza ações de formação de professores e promove um concurso bienal de produção de textos para alunos de escolas públicas de todo o país.

Quem pode participar?

Professores da rede pública e seus alunos do 5ª ano do ensino fundamental até o 3ª ano do ensino médio.

Nesta olimpíada todos ganham!

Valorizando a interação das crianças e jovens com seu meio, a olimpíada adota o tema “O lugar onde vivo”. O aluno resgata histórias, estreita vínculos com a comunidade e aprofunda o conhecimento sobre a realidade, o que contribui para o desenvolvimento de sua cidadania.


Quais são os gêneros textuais que deverão ser desenvolvidos? Como será o agrupamento?




Gênero textual: Memórias

Conta a mitologia grega que a deusa da memória, Mnemosyne, protetora das artes e da história e da poesia narrativa épica, tornava imortal o humano que tivesse registrado em alguma obra um herói e seus feitos. Assim também hoje esse caráter reatualizativo do passado ganha imortalidade quando se resgata um momento passado, esquecido em algum canto da memória, tornando-o eterno. O gênero memórias faz exatamente isso: resgata o passado social existente em cada indivíduo, geralmente mais velho, que vai relatar suas lembranças, numa entrevista oral, ao escritor de um texto narrativo de memórias, que deve a primeira pessoa, assumir a voz do entrevistado. O texto de memórias se caracteriza por ter um estilo referencial em que o passado se presentifica em objetos, coisas, lembranças... e se concretiza em expressões como "naquele tempo", "antigamente", verbos narrativos no passado, palavras "antigas" que devem ser explicadas, etc.

COSTA, Sérgio Roberto. Dicionário de gêneros textuais. 2. ed. rev. ampl. - Belo Horizonte: Autêntica, 2009, p.148.



Palavras de um especialista por Elizabeth Marcuschi

Como escrever as memórias do outro, revelando toda sua singularidade
Palavras de um especialista por Ana Lima
Recordar para contar
Etimologicamente, “recordar” vem de “re” + “cordis”, significando, literalmente, “trazer de novo ao coração algo que, devido à ação do tempo, tenha ficado esquecido em algum lugar da memória”. Podemos dizer que, em linhas gerais, é exatamente essa a função de um texto do gênero memórias literárias.         Alguém que almeje escrever um texto de memórias literárias tem uma árdua tarefa pela frente: identificar pessoa (as) que possa (m) realmente contribuir para a elaboração do texto, com suas lembranças. Realizar uma entrevista com essa (s) pessoa (s); selecionar e organizar as informações relevantes coletadas; e, finalmente, escrever o texto.         Não podemos esquecer que a entrevista é um gênero da modalidade oral, e, se foi gravada, certamente apresentará várias marcas dessa oralidade. O escritor de memórias deve estar ciente disso e seu trabalho será transformar aquele texto oral em escrito. Além disso, precisa atender a algumas características específicas desse gênero. O escritor, por exemplo, deve assumir a voz da pessoa entrevistada, ou seja, o texto deve ser em primeira pessoa.       Não se trata de um simples reconto do que ouviu na entrevista, e sim de uma reinterpretação, que deve resultar em um texto de natureza literária, narrativo em sua maior parte. Em nenhum momento se pode perder de vista que há um leitor curioso para conhecer o passado, de modo que o texto deve ser escrito com criatividade, de tal maneira que esse leitor sinta-se envolvido por ele.
   Alguns elementos normalmente presentes nos textos de memórias literárias são as comparações entre o passado e presente, a presença de palavras e expressões que transportam o leitor para uma certa época do passado (“antigamente”, “naquele tempo” etc.), referência a objetos, lugares e modos de vida do passado, descrições de lugares ou pessoas e explicações de sentido de certas expressões antigas ou palavras em desuso.       Enfim, cabe ao escritor posicionar-se como um pesquisador que busca recuperar a memória coletiva de sua cidade e, por meio de seu texto, possibilitar que os leitores “tragam para o coração “um passado que, mesmo não tendo sido vivido por eles, foi decisivo para que sejam o que são atualmente.
Texto retirado da revista Na Ponta do Lápis – ano V – nº 11, p. 22-23. 
Escolha do tema  "O lugar onde vivo"
Vejamos agora um trecho do filme Narradores de Javé, para que ele possa contribuir no entendimento do relato oral e nas séries de particularidades de transformação desse registro oral para o escrito. 
A escrita cumprindo seu papel de assinalar a preservação das ações humanas, isto é, dos costumes, crenças, da cultura como um todo, assim como o reconhecimento da identidade de um povo.
Sinopse: Narradores de Javé conta a história da pequena cidade de Javé, que será submersa pelas águas de uma represa. Seus moradores não serão indenizados e não foram sequer notificados porque não possuem registros nem documentos das terras. Inconformados, descobrem que o local poderia ser preservado se tivesse um patrimônio histórico de valor comprovado em documento científico. Decidem, então, escrever a história da cidade – mas poucos sabem ler e só um orador, o carteiro, sabe escrever.
Vídeo disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=rtgCcJYEdB0>
Conheça uma das finalistas da Olimpíada de Língua Portuguesa - 2008
 Faça parte desse processo de produção também. Desperte o potencial que está dentro de você!
Leia os textos dos finalistas da Olimpíada 2006- http://www.escrevendo.cenpec.org.br/images/stories/publico/material/2006textosalunos.pdf 2007 - http://www.escrevendo.cenpec.org.br/images/stories/textos/livro_memorias_finalistas_2008.pdf 2010- http://www.escrevendo.cenpec.org.br/images/stories/publico/noticias/20101201memorias.pdf

Instruções para desenvolver a redação do Concurso Cultural da Olimpíada de Língua Portuguesa

Foco: Memórias literárias

Passo-a-passo:
  • Conheça o tema.
  • Tenha noções do gênero solicitado. Como:
  1. Qual a função do gênero?
  2. Quais são suas características?
    • Realize a entrevista e organize as informações que achar mais interessantes e/ou apropriadas ao tema proposto.
      • Escreva o texto.
        • Revise-o, e, sempre que necessário: retire os excessos ou acrescente informações relevantes; verifique a concisão e coerência do texto e, claro, faça a correção ortográfica. 

          Conhecimentos que contribuirão na realização de sua redação:

          Figuras de linguagem: contribui no "floreamento" do texto.

          Descrição: auxilia a sua percepção - (partindo do princípio que é você quem assume a voz do entrevistado)  para retratar ao leitor o modo como percebe/vê as ações, ambientes, objetos, seres etc.

          Progressão temática: é o modo como você irá desencadear o tema inicial aos segmentos de seu texto, ou seja, a forma como você trabalhará o assunto nos parágrafos sem perder o fio da meada.
          Use para isso, por exemplo, palavras ou expressões apropriadas ao gênero; pronomes; emprego de palavras sinônimas, hiperônimas ou hipônimas; paráfrase; flexão verbal ... Estes contribuirão com a união, além de estabelecerem ganchos entre o que foi dito e que ainda vai se dizer.

          Pesquisar tudo que remeta ao passado:
          • palavras ou expressões antigas e que estão em desuso, ou seja, que não usamos mais em nosso dia a dia;
          • lazer;
          • educação;
          • costumes;
          • meios de transporte/ locomoção;
          • marcas de produtos;
          • vestimenta;
          • programas no rádio e TV;
          • política,
          • imagens antigas da cidade, bairro, rua ...
          Enfim, os dados coletados servirão para você remontar o passado, ou melhor, projetar na mente do leitor  as lembranças de um tempo que ficou para trás, e que de um modo ou de outro, carrega consigo uma carga emotiva para aqueles que presenciaram, como também, aos que estarão experimentando as sensações descritas por você pela primeira vez.

          Vocabulário: tenha sempre em mãos um dicionário.
           Sugestões de dicionários para consulta na web:
          -  http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digital - Dicionário de definição
          - http://www.dicionariodegirias.com.br/ - Dicionário de gírias
          http://www.dicionariodesimbolos.com.br/ - Dicionário de simbologia

          Se tiver dúvida quanto à conjugação verbal, tire-a aqui: http://www.conjuga-me.net/

          Dificuldade quanto às regras básicas da normatização da escrita e questões que envolvem estilo textual: http://www.estadao.com.br/manualredacao/ . Consulte o índice ou procure pela letra equivalente à dúvida. Ex.: "Passo a passo ou passo-a-passo?": para saber, clique na palavra "p" que aparece do lado esquerdo da tela de seu PC e verifique de acordo com a ordem alfabética. Realize a ação do mesmo modo que você faz para consultar no dicionário de mão.


          Critérios seguidos pelo professor e pela Comissão Julgadora Escolar na seleção do texto finalista:




          Fonte: http://escrevendo.cenpec.org.br/images/stories/publico/noticias/cje_folder.pdf

          Olimpíada de Língua Portuguesa: Texto de apoio para realizar uma entrevista

          REGISTRO DE HISTÓRIAS


              Cada um de nós carrega dentro de si lembranças e vivências de momentos marcantes, de experiências prazerosas ou difíceis, marcos de mudança e descobertas. E, cada experiência vivida, que nos parece tão particular, está repleta das memórias de grupos aos quais pertencemos, refletindo a história de um tempo, ou melhor, do nosso tempo. 
              Por isso, a história de vida de toda pessoa é valiosa e merece ser preservada e socializada. O registro da história é o primeiro passo para isso e pode ser feito em um depoimento escrito, em uma gravação de áudio ou vídeo, por meio de uma entrevista, ou ainda um relato coletivo produzido numa roda de histórias.
              Vamos aqui propor situações para que a memória de cada um possa emergir, ser registrada e compartilhada, pois registrar, difundir e articular as visões, práticas, sonhos é uma forma poderosa de construir fontes alternativas para a compreensão dos processos históricos.

          Entrevista

              "Entrevistar uma pessoa é ajudá-la a revelar sua história de vida como narrativa construída a partir de suas memórias, daquilo que viveu e conheceu. Por isso, a entrevista pressupõe a interação entre quem conta, o entrevistado e o entrevistador. Cabe ao entrevistador auxiliar o entrevistado a organizar as lembranças de sua vida em uma narrativa própria.
              Nesse caso, a entrevista é uma prática de interação entre dois lados: quem conta e quem pergunta/ouve. Ao contrário de um “interrogatório” ou “questionário”, o que se busca é criar um momento de troca e diálogo entre as duas partes, sendo que o assunto da conversa é a história de vida de uma delas.     Podemos dizer que a entrevista é um produto em co-autoria do entrevistado e do entrevistador.
          Busca-se transformar a entrevista num momento solene, até mesmo sublime, em que a pessoa possa se religar a sua memória e contar sua história, com ajuda de um entrevistador atento e respeitoso. É como puxar o fio da memória e deixar que a narrativa flua.
              Costumamos dizer que, para uma boa entrevista, pode bastar uma primeira pergunta. A partir de então, é saber ouvir uma história que muitas vezes está simplesmente guardada, pronta para ser contada. Cabe ao entrevistador auxiliar a pessoa a organizar as lembranças que vêm à tona em uma narrativa própria.
              Cada entrevistado não é entendido, portanto, como uma mera fonte de “informações” sobre o assunto, mas, sim, como uma pessoa que de alguma maneira vivenciou um pedaço daquela história. Neste sentido, sua narrativa de vida é, em si mesma, a principal fonte que se quer coletar.
              De fato, quando ouvimos uma história, estamos recebendo um presente delicado e profundo de alguém: sua história de vida. Cuidados especiais podem ser tomados para retribuir ao entrevistado seu presente: uma cópia de sua entrevista, um certificado, uma carta de agradecimento etc. Além do reconhecimento por sua participação, todos estes cuidados constituem estratégias para que o entrevistado se conscientize da importância de sua história e dos desdobramentos que ela pode ter ao ser integrada às histórias de sua comunidade e da sociedade como um todo.

          Alguns pontos sobre o papel e a postura do entrevistador:

              A entrevista pode ser realizada por duas pessoas: uma assume a interlocução direta com o entrevistado e a outra observa e, com uma visão do todo, percebe os “ganchos” perdidos e ajuda a complementar.
          Uma entrevista de história de vida dura, no mínimo, uma hora e meia, mas pode também ter mais horas de duração, em várias sessões.
              O entrevistado é o autor principal da narrativa. É ele quem deve determinar o ritmo, o estilo e o conteúdo da sua história. No entanto, o sucesso da entrevista depende muito do entrevistador. Cabe-lhe ajudar o entrevistado, fazendo perguntas, estimulando seu relato. É importante, portanto, se preparar para esse momento. A elaboração de um roteiro da entrevista ajuda bastante.
              O roteiro, porém é apenas um estímulo. É necessário estar totalmente disponível. Ser curioso, escutar com atenção. As melhores perguntas surgem da própria história que está sendo contada. Se o entrevistado falar sem perguntas, pode seguir sem interrupção, mesmo que pareça que ele esteja saindo fora do tema. Apenas interferimos quando for realmente necessário, seja para retomar o fio da meada, seja para ajudá-lo a seguir.
              O corpo, os olhos, os movimentos fazem parte do diálogo e influenciam a construção da narrativa. É necessário estar atento. Cuidado em não demonstrar impaciência, olhando o relógio.
              O entrevistador não discute opiniões ou cobra verdade e precisão histórica. O objetivo da entrevista é registrar a experiência pessoal que o entrevistado tem dos acontecimentos e não uma verdade absoluta. O papel do entrevistador é estimular e auxiliar o entrevistado na construção da história que ele quer contar. E certamente a emoção faz parte.

          Dicas para o registro da entrevista:

              Todo o material e equipamento necessário para a realização da entrevista deve ser ordenado e testado antes da entrevista.
              Vale a pena gravar um pequeno cabeçalho informando nome completo do entrevistado, entrevistadores, data e local do registro. Incorporada à gravação, essa claquete permite a identificação imediata dessa nova fonte histórica.
             Vários podem ser os ambientes para a realização da entrevista. Mas, preferencialmente, locais silenciosos, sem muitos estímulos presentes e os celulares devem ser desligados.
              É importante que a entrevista não seja interrompida pelos entrevistadores, pela equipe de gravação, ou por pessoas do entorno, mas avisar o entrevistado que, sempre que ele quiser, poderá ser feito um intervalo.

          Roteiro da entrevista:

              O roteiro é uma seqüência de perguntas elaboradas pelo entrevistador, que o ajuda a preparar-se para a entrevista. Não deve ser entendido como um questionário rígido, mas como um guia para “puxar o fio da memória” do entrevistado.
              O desafio é construir uma seqüência de perguntas que ajude a pessoa a encadear seus pensamentos e organizar a narrativa à sua maneira. O tipo e a ordem das perguntas - estejam ou não previstas no roteiro – tendem a definir o tipo de história que será contada.
              Deve-se priorizar a narrativa, as histórias, cuidando para o entrevistado não se perder em comentários e opiniões genéricas.

          Algumas dicas para construção do roteiro:

          1. Para começar - Iniciar com perguntas fáceis de responder, como nome, local e data de nascimento. Além de contextualizar a pessoa, essas perguntas têm a função de “esquentar” a entrevista. É como um começo delicado de um relacionamento, e nada como perguntas simples e objetivas para deixar o entrevistado à vontade e ajudá-lo a mergulhar em suas memórias.
          2. Encadeamento - A ordem cronológica costuma ser um bom fio condutor da conversa, mas não é o único. Vale observar se a comunidade ou grupo tem outra lógica de organização de suas histórias. Se for adotado o critério cronológico, o roteiro pode ser organizado em três grandes blocos de perguntas:
          • Introdução: origem da pessoa, pais, avós, infância.
          • Desenvolvimento: fases da sua trajetória, incluindo, se for o caso, o tema específico do projeto.
          • Finalização: conclusão da história, relação com o presente e o futuro. Número de perguntas: O roteiro não precisa ser extenso nem exaurir todos os temas, pois é apenas uma base para a entrevista. Um bom exercício é começar construindo 10 perguntas (três de início, quatro de desenvolvimento e três de finalização) e depois subdividir cada uma em sub-blocos temáticos.
          Perguntas que ajudam:

          • Descritivas - Recuperam detalhes envolventes. Exemplo: descreva como era a casa de sua infância.
          • De movimento - Ajudam a continuar sua história. Exemplo: o que você fez depois que saiu de casa?
          • Avaliativas - Provocam momentos de reflexão e avaliação. Exemplo: como foi chegar à cidade grande
          Perguntas que atrapalham:

          • Genéricas - Estimulam respostas genéricas (“boa” ou “muito difícil”), sem histórias. Exemplo: como foi sua infância?
          • Puramente informativas - Podem desconcertar o entrevistado e interromper sua narrativa. Exemplo: qual era o nome da praça? (Se importante, tal dado deve ser pesquisado antes ou depois da entrevista.)
          • Com pressupostos - Propiciam respostas meramente opinativas. Exemplo: o que você acha da situação atual do Brasil?
          • Com julgamento de valor - Atendem apenas a hipóteses e anseios do entrevistador. Exemplo: Você não acha que deveria ter feito algo?"


          MODELO: FICHA DE ENTREVISTA
          (Olimpíada de Língua Portuguesa)


          Aluno:
          Série: 
          Data: 
          Professor orientador:
          Entrevista
          Entrevistador: ­­­­
          Entrevistado: ­­­­­­­­­­­­­­­­
          Local: 
          Cidade:
          Estado:
          Data da entrevista:
          Dados do entrevistado:
          Nome completo: 
          Idade:
          Data de nascimento: 
          Sexo: ( ) masculino ( ) feminino
          Local de nascimento:­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­
          Estado de origem:
          Tema da entrevista: O Lugar onde vivo
          Objetivo: resgatar a história de vida do entrevistado, para a partir de então, produzir um texto do gênero memórias literárias.
          Tempo de duração: 

          Roteiro para entrevista:
          • Colete dados pessoais, assim como os descritos acima.
          1. Há quanto tempo mora no local/ cidade?
          2. Conte sobre sua trajetória de vida.
          3. Como era o bairro/ cidade que senhor ou senhora foi criado(a)?
          4. Qual foi o fato marcante do lugar onde sr.(a) morava?
          5. Relate para mim um fato feliz e um fato triste.
          6. Quais eram as brincadeiras?/ O que o sr.(a) fazia para se divertir?
          7. Como eram os costumes da época em que era mais jovem?
          8. Como era o modo de falar das pessoas?
          9. O sr.(a) tem alguma foto, registro documental (carta, cartão-postal...) ou objeto daquele tempo? [usar esse recurso para reconstruir a história durante o diálogo com o entrevistado, estimulando as suas recordações.]
          10. O que existia antigamente na época que era novo e hoje não existe mais?
          11. O que sr.(a) gostaria que continuasse do seu tempo de infância ou mocidade?
          12. Peça ao entrevistado que faça uma comparação entre sua infância/ juventude com os dias atuais.
          • Anexar uma foto da entrevista/ ou entrevistado (colocar legenda)

          Relato de experiência (do entrevistador/estudante)

          Redija seu texto com base nestas questões:

          • Foi fácil encontrar alguém para entrevistar? Quem era a pessoa?
          • O que aconteceu quando você chegou para a conversa?
          • Quais as perguntas e as respostas feitas durante a conversa? Cite a que mais te emocionou.
          • Qual a reação do entrevistado quando falou de suas lembranças? Demonstrou saudade, alegria, tristeza?
          • Como você fez para não esquecer o que o entrevistado disse? [Anotou no caderno, gravou em forma de vídeo ou de áudio? Pelo celular? Gravador de áudio ou câmera?]

          Veja uma entrevista feita por estudantes, assim como você:






          Marcadores temporais e espaciais






          Datas.

           Mas o que são datas? Datas são pontas de icebergs. O navegador que singra a imensidão do mar bendiz a presença dessas pontas emersas, sólidos geométricos, cubos e cilindros de gelo visíveis a olho nu e a grandes distâncias. Sem essas balizas naturais, que cintilam até sob a luz noturna das estrelas, como evitar que a nau se espedace de encontro às massas submersas que não se veem?” (Bosi, 1992)




                  Tempo e espaço têm função de situar o leitor, são elos representativos da memória, da história e do imaginário. No que se diz respeito ao tempo: situa o receptor do texto em um determinado momento ligado ao presente, passado ou futuro, e também, quando trata-se de espaço: em um lugar, direção, limite, distância, percurso, trajeto. Ambos relacionam entre si, pois todo ato comunicativo está situado no tempo e no espaço.
              Uma notícia de jornal ao apresentar a manchete com uma forma verbal no tempo presente, por exemplo, aproxima o leitor do fato acontecido porque traz a informação para um momento atual, tal qual quem o lê. Temos também os textos narrativos que priorizam fatos/ acontecimentos de tempos passados, reportando aquele que lê em um tempo que ficou para traz e que terá de ser reconstruído a partir de descrições diversas.
              Tudo que acontece no mundo físico está inserido no processo temporal e espacial, o que está fora dele transcende nossa razão. Neste caso, está ligado ao fantástico e ao imaginário, tratando-se de texto narrativo, por isso ganha formas atemporais, podendo haver "flash-back", ilogismo, elipses/lacunas, digressões e assim por diante.

          Marcadores temporais


          Tempo atual, presente: hoje, atualmente, agora, agora mesmo, já neste instante, o dia de hoje, modernamente, já, neste momento, recentemente, ultimamente, época atual, hoje em dia, nessa altura do campeonato...

          Tempo próximo: neste instante, logo mais, este ano, mais dia, menos dia...

          Passado: anteontem, ontem, tempos idos, outros tempos, outras eras, outrora, antigamente, naquele dia, na véspera, um dia depois de..., retrasado, retrospectivo, retroativo, pregresso ...

          Futuro: porvir, vindouro, daqui a dois anos, amanhã, futuramente, em breve, dentro em pouco, proximamente, iminente, prestes a, no dia seguinte, logo, posteridade, ao fim daquele dia...

          Tempo remoto: Há muitos séculos, e lá vai pedra, e lá vai fumaça, primitivo, no tempo das cavernas, secular, milenar, antiquíssimo, vetustos dias...

          Transcurso do tempo, ou extensão temporal, ou período: das 6 às 10 horas...

          Época indeterminada: algum dia, um dia, certa vez, era uma vez, um belo dia...

          Tempo cronológico exato: daqui duas horas, 2 de setembro, em 2000...

          Tempo cronológico definido: dias da semana: segunda-feira, terça-feira..., dos meses: janeiro, fevereiro..., horas: 1 hora, 12 horas, em um minuto..., diurno, vespertino, matutino, noturno, semanal, mensal, quinzenal, semestral, anual, dominical, sazão...

          Tempo cronológico indefinido: entre duas e três da manhã,

          Anterior: antes de, antes que, anteontem, no início...

          Tempo inicial: desde que, desde quando...

          Tempo em que termina a ação encerrada no passado e que se prolonga até o momento em que se fala: a primeira vez que, a última vez que...

          Progressão de tempo: à medida que, à proporção que...

          Tempo de uma ação realizada no passado e esperada no futuro/ que modifica o que está feito: da próxima vez que, doravante, de agora em diante, daqui para frente, retroativo...

          Antecipação: primeiro, antes, antes de, antecipadamente, prematuro, primogênito, prenúncio, véspera, precoce ...

          Posterior: depois, depois de, depois que, posteriormente, a seguir, em seguida, sucessivamente, por fim, mais tarde, ulterior, seguinte, no verão, no retorno de[da escola]; ...

          Tempo imediatamente posterior: logo que, mal, assim que, depois de alguns dias, desse dia em diante, a partir de amanhã ...

          Intervalo: meio tempo, ínterim, entre agora e depois, entre hoje e ontem, interstício, ínterim, pausa, trégua, meio tempo, intermitente, periodicamente, nos finais de semana...

          Simultâneo: sincrônico, quando, enquanto, durante, ao mesmo tempo, simultaneamente, coincidentemente, ao passo que, à medida que, paralelamente…

          Quase simultâneo: por pouco, por um triz ...

          Frequência: a cada dia, dia a dia, constantemente, habitualmente, costumeiramente, usualmente, corriqueiramente, repetidamente, tradicionalmente, novamente, com frequência, muitas vezes, sempre que, todas as vezes que, corriqueiro, habitual, usual, recorrente, todo dia, todos os dias ao amanhecer [anoitecer],  desde que o mundo é mundo, de geração em geração...

          Infrequência: raras vezes, raramente, raro, poucas vezes, nem sempre, ocasionalmente, esporadicamente, de quando em quando, de vez em quando, de tempos em tempos, às vezes, uma vez ou outra, vez por outra, eventualmente, anualmente, a cada três meses...

          Durativo: há quase dois anos, tem muito tempo, anos, bilênio, ciclo, década, estação, primavera, tempão, altas horas, dia-a-dia, horas e horas...

          Momento exato: em ponto, pontualmente, pontualidade britânica, preciso...

          Momento inexato: em cima da hora, tardio, foi mais ou menos nessa época que, algum tempo depois...

          Curta duração: transitório, passadiço, efêmero, ocaso, instantâneo, efêmero, fugaz, precário, momentâneo, provisório, interino, bocadinho, alvorada, crepúsculo, dia, entardecer, expediente, hora, lusco-fusco, matina, microssegundo, momento, solstício, véspera, cedinho, de dia, de um dia para outro, passageiro, num abrir e fechar os olhos, num átimo, num piscar de olhos, por enquanto, temporário, num passe de mágica, pôr-do-sol...

          Cessativo: termino, acabado, cessado, até que, por fim, fim, finalmente, último..

          Perpetuidade: eternidade, eterno, permanente, ininterrupto, constante, contínuo, duradouro, cíclico etc.

          Prorrogado: procrastinado, delongado, adiado ...

          Tempo psicológico (subjetivo): o tempo corria devagar; as horas passavam a perder de vista, naquela época; [os] anos se passaram; desde que o mundo é mundo; no meu tempo; com o rodar dos anos; no meu tempo de criança; se não me falha a memória, lá pelos idos de XXXX; faz muito tempo que; de lá pra cá; o tempo fluía como correnteza; o tempo passou...; o tempo passou depressa; lembro-me como se fosse hoje; se bem me lembro; mal o dia nascia; antes de o sol nascer; nas horas claras/escuras do dia; na hora de dormir; muito tempo se passou; quando o sol dava as caras; o tempo foi passando; com o passar dos anos; bons tempos aqueles em que; os dias vão se passando; na aurora do dia;  assim os dias foram passando; eram épocas difíceis; na minha juventude; já se passaram tantos anos; há muito tempo; naqueles idos; o presente e o passado se completam num vaivém como no remanso da maré [das ondas, das estações, das canoas]; o passado e o presente se fundem em um [...]; durante toda a minha juventude; ao aparecimento dos primeiros raios de sol; antes do raiar do sol; quando era noite de lua nova [cheia]; todo tempo do mundo; as marcas do tempo; sem perder tempo;  tudo começou há; mal via a hora de chegar; nos meus tempos de outrora, o sol começava a se pôr; os tempos que não voltam mais; lembro-me com saudade do tempo que...; faz tanto tempo!;  o tempo passou sem que eu percebesse;  à tardezinha...; passagem marcante em minha [infância, juventude, velhice, de rapazote...]; o tempo urge; o tempo não apaga; os dias se foram; as memórias iam correnteza abaixo; quando a noite principiava; nos velhos tempos; minhas lembranças voam e retornam ao passado; e assim o tempo foi passando; com o olhar fixo nas lembranças do passado; momentos a perder de vista; guardo vivas em minha memória lembranças de meu tempo de...; viajo a tempos remotos; dentro de pouco tempo; o tempo não tem dó da gente, ele se esvai; não me esqueço do dia em que [como posso esquecer do dia em que...?]; o tempo encarregou-se de...; os anos não trazem mais; anos mais tarde; tempos da meninice;  as lembranças passeiam por...; bem de tardinha; vi o tempo devorar os longos anos da minha vida; ao voltar no tempo...
           
          Fora do domínio do tempo: atemporal, acrônico, intemporal, anacrônico...

          Relacionados ao campo semântico do tempo: compassado, ritmado, fresco, depressa, vagaroso, decorrente...

          Marcadores espaciais


          sob a, abaixo de, acerca, a céu aberto, adonde, afora, à frente, aquém, por trás de, atrás, avante, adiante, cá, aqui, além, abaixo acolá, adiante, acima, embaixo, antes, depois, arrabalde, arredor, algures, em algum lugar, em alguma parte, alhures, em outro lugar, adjacência, boqueirão, biboca, cercania, imediação, vizinhança, além-mar, cafundó, cafundó-do-judas, circunscrição, confim, fronteira, raia, dianteiro, traseira, distante, habitat, limbo, local, localidade, logradouro, lonjura, lugarejo, ponto, povoado, quebrada, redondeza, rua, ruela, rumo, saída, entrada, setor, sítio, naquele pedaço de chão  etc.


          Referências:


          AZEREDO, José Carlos de. Fundamentos da gramática do português. 3.ed. - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. , 2004.
          BOSI, Alfredo (org.). Tempo e História. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
          MASSARANDUBA, Elisabeth de M.; CHINELLATO, Thaís Montenegro. Narração – Teoria e Textos: Professoras (Curso Objetivo). Disponível em: http://www.clickescolar.com.br/narracao-teoria-e-textos.htm. Acesso em: 20 de jun. de 2012.
          OLÍVIA, Madre; Fávero, Leonor Lopes; Silveira, Regina C. Pagliuchi. Uma Gramática de Texto - Orientações a professores de 1º grau . Rio de Janeiro: Editora Vozes1984.